Ministro dos Transportes diz que duplicação da BR-381 começa em março

Em 2025, ministro Renan Filho prometeu que obra começaria até dezembro, mas prazos não foram cumpridos. Em visita a BH, ele renova promessa para março deste ano

BR-381

O ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB-AL), garantiu o início da duplicação da BR-381 em março deste ano. Durante agenda em Belo Horizonte na manhã desta quarta-feira (14), ele afirmou que as intervenções começarão no trecho entre Ravena e Caeté e que as obras no lote rodoviário mais próximo de Belo Horizonte ainda aguardam a finalização dos trâmites jurídicos para a desapropriação das famílias que vivem às margens da pista.

As obras foram anteriormente prometidas para 2025, mas ficaram para o ano seguinte. Os cerca de 32 quilômetros entre BH e Caeté são considerados os mais complexos da chamada “Rodovia da Morte” por concentrarem curvas sinuosas, o trânsito intenso da região metropolitana da capital e milhares de famílias que ocupam áreas contíguas à pista.

“O projeto executivo agora está pronto, nós vamos começar até março o lote mais fora da cidade (BH). O lote dentro da cidade de Belo Horizonte, nós estamos finalizando o processo de desapropriação das residências, porque os o processo de desapropriação, ele ele é específico com cada família. Tem família que vai receber o recurso, o dinheiro da indenização se ela desejar. Tem família que vai ter uma compra assistida, se ela assim desejar. E tem família que vai receber um imóvel construído pelo próprio governo. Então, essas três frentes, ela exige uma negociação individual com cada família. A justiça está acompanhando e a gente espera ainda no primeiro semestre também começar esse outro lote a partir da retirada das famílias”, disse o ministro à Itatiaia.

Novela da ‘Rodovia da Morte’

Novela de décadas, a duplicação da BR-381 teve novos capítulos em 2024. Em fevereiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou que repetiria, pelo terceiro ano consecutivo e após dois pregões desertos, o leilão da rodovia entre Belo Horizonte e Governador Valadares.

Para tentar evitar mais um leilão sem interesse da iniciativa privada, a novidade anunciada pela presidência é de que no edital em questão as obras no trecho mais crítico da rodovia ficariam à cargo do governo federal.

No fim daquele ano, a estrada foi enfim privatizada e passou à gestão da concessionária posteriormente batizada de Nova 381. O trecho cujas obras ficariam sob responsabilidade do governo foi dividido entre o lote 8A (de Caeté até Ravena) e 8B (de Ravena até Belo Horizonte).

Durante todo o ano de 2025, porém, os empecilhos que afastaram a iniciativa privada das tentativas de concessão da BR-381 também não foram transpostos pelo governo federal e as obras de duplicação não começaram.

Desapropriações na Grande BH

Atualmente, processos para a realocação de famílias segue em curso. No caso específico das casas dentro dos limites de BH, o ano de 2025 terminou com a destinação de um terreno no Bairro Capitão Eduardo para receber as famílias que vivem às margens da rodovia. A decisão conciliada entre a prefeitura da capital, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Tribunal Regional Federal da 6ª região (TRF-6) pôs em andamento um processo que se arrastava há mais de uma década.

“São aproximadamente 800 famílias e o recurso para desapropriação gira em torno de R$300 milhões. Isso ainda vai ser definido porque tem esses três modelos de desapropriação. Para o Estado o mais fácil é pagar. Não é o mais difícil o recurso, para falar a verdade. O mais difícil é uma compra assistida, que o Estado tem que, além de pagar, negociar um outro imóvel. É mais difícil também construir habitações em outro local, mas isso só pode ser feito a partir da discussão com as famílias, porque foi uma determinação do presidente Lula que a gente fizesse isso conversando com as pessoas e respeitando a decisão da Justiça Federal”, disse o ministro sobre as desapropriações.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

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