As deputadas federais Heloisa Helena, da Rede do Rio de Janeiro, e Fernanda Melchionna, do PSOL do Rio Grande do Sul, protocolaram nesta quinta-feira (5), um requerimento pedindo acesso às imagens da cela onde estava preso Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, aliado do empresário Daniel Vorcaro.
O pedido foi encaminhado ao presidente da Câmara dos Deputados para que seja remetido ao ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva. As parlamentares solicitam o acesso aos registros audiovisuais das dependências da Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais, onde Mourão estava detido.
No documento, as deputadas afirmam que o objetivo é garantir transparência e permitir a fiscalização do episódio pelo Legislativo. Segundo elas, a tentativa de suicídio de um preso sob custódia do Estado, dentro das instalações da Polícia Federal, exige esclarecimentos, especialmente por se tratar de um investigado ligado a uma operação que envolve suspeitas em diferentes esferas de poder.
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, de 43 anos, foi preso durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada no último dia 4 de março. Horas depois de ser levado para a sede da Polícia Federal em Belo Horizonte, ele atentou contra a própria vida dentro da cela. O homem foi socorrido por equipes do Samu e encaminhado ao Hospital João XXIII, mas teve morte encefálica confirmada posteriormente. A Polícia Federal abriu um inquérito para apurar as circunstâncias do caso.
A Operação Compliance Zero investiga um esquema bilionário ligado ao Banco Master, com suspeitas de venda de títulos falsos, lavagem de dinheiro e manipulação financeira.Segundo as investigações, o empresário Daniel Vorcaro, dono da instituição, lideraria um grupo chamado “A Turma”, que incluía Mourão e outros aliados envolvidos em monitoramento de desafetos, intimidações e ameaças, inclusive contra jornalistas. A operação também levou ao afastamento de servidores do Banco Central suspeitos de receber propina em troca de informações privilegiadas sobre o mercado financeiro.