Lula sanciona reajuste a servidores do Congresso e TCU, mas veta penduricalhos

Reajustes variam de 8% a 9% em 2026; presidente barra licença compensatória e escalonamento até 2029 para evitar estouro do teto e risco fiscal

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou o projeto que concede reajuste salarial a servidores da Câmara dos Deputados, do Senado Federal e do Tribunal de Contas da União (TCU). A decisão foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira (18) e veio acompanhada de vetos a dispositivos que poderiam permitir remunerações acima do teto constitucional do funcionalismo, hoje fixado em R$ 46.366,19.

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O texto sancionado prevê reajustes que variam entre 8% e 9% para 2026, além do reconhecimento das três carreiras como típicas de Estado. No caso do TCU, a proposta também autoriza a ampliação do número de cargos, eleva níveis de funções de confiança e passa a exigir nível superior para os postos.

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O presidente também aprovou a substituição das gratificações de desempenho pela Gratificação de Desempenho e Alinhamento Estratégico (GDAE) - gratificação variável paga a servidores com base em desempenho e metas institucionais, integrada ao salário e sujeita ao teto constitucional

Vetos

Entre os principais pontos vetados está o escalonamento automático dos reajustes para os anos de 2027, 2028 e 2029. Segundo o Palácio do Planalto, a medida poderia afrontar a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), ao criar despesas obrigatórias que não estariam asseguradas até o fim do atual mandato presidencial.

Lula também barrou a chamada licença compensatória - benefício que autorizaria a concessão de um dia de folga a cada três dias trabalhados. O período poderia ser convertido em pagamento em dinheiro, sem incidência de Imposto de Renda, o que abriria margem para ganhos acima do teto constitucional.

A regra é semelhante à já aplicada no Judiciário e no próprio TCU. No Senado, o benefício seria destinado a servidores em funções consideradas de “relevância singular” ou com acúmulo de atividades extraordinárias, podendo alcançar ocupantes de cargos comissionados ou de assessoramento superior. O texto previa, no mínimo, um dia de folga a cada 10 dias trabalhados e, no máximo, um a cada três dias, com possibilidade de indenização em dinheiro.

Na Câmara, a licença compensatória seria concedida a servidores efetivos que exercessem função comissionada de nível FC-4 ou superior. A proposta estabelecia o direito a até um dia de folga a cada três dias trabalhados, limitado a 10 dias por mês.

Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio

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