O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta quarta-feira (17) a tentativa da França e da Itália de impedirem a assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, anteriormente prevista para o próximo sábado (20), durante a cúpula do bloco sul-americano em Foz do Iguaçu (PR).
“É importante lembrar que essa reunião do Mercosul era pra ser no dia 2 de dezembro, eu mudei para o dia 20 de dezembro, porque a União Europeia pediu, porque ela só conseguiria aprovar o acordo no dia 19. E eu agora estou sabendo que eles não vão conseguir aprovar. Está difícil porque a Itália e a França não querem fazer por problemas políticos internos. E eu já avisei pra eles: se a gente não fizer agora, o Brasil não fará mais acordo enquanto eu for presidente”, destacou o petista durante fala na última reunião ministerial do ano, em Brasília.
Negociado desde 1999, o tratado busca criar a maior área de comércio do mundo, com aproximadamente 718 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de US$ 22 trilhões.
Apesar das cifras gigantescas, a assinatura esbarra na resistência de países europeus, sobretudo França, Itália e Polônia, que temem perder mercado com a chegada de produtos agrícolas sul-americanos.
Na terça-feira (16), o Parlamento Europeu deu aval a uma versão do acordo com regras mais rígidas de proteção ao agronegócio, exigência do governo de Emmanuel Macron para apoiar as medidas comerciais.
Pelas normas aprovadas, os benefícios tarifários aos países da América do Sul podem ser suspensos caso a União Europeia entenda que eles prejudicam o agronegócio europeu. Os parlamentares também aprovaram a possibilidade de abertura de uma investigação caso as importações de um produto agrícola aumentem 5% em três anos.
Lula afirmou ainda manter a expectativa de que o tratado seja assinado no sábado, mas alertou para o encerramento das negociações caso não haja avanços.
“Faz 26 anos que a gente espera esse acordo. O acordo é mais favorável para eles do que para nós. Eu vou para Foz do Iguaçu na expectativa de que eles digam ‘sim’ e não digam ‘não’. Mas também, se disserem ‘não’, nós vamos ser duros, daqui para frente, com eles, porque nós cedemos a tudo o que era possível a diplomacia ceder”, concluiu.