Gleisi responde Alcolumbre, e nega negociar cargos para aprovar indicação de Messias

Ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais disse que o governo repudia esse tipo de “insinuação”

Gleisi Hoffmann pregou respeito na relação com Alcolumbre

A ministra-chefe da secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), respondeu às críticas do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), após o parlamentar afirmar que setores do Executivo tentam criar a narrativa de que as divergências como Legislativo podem ser resolvidas com cargos e emendas.

Segundo Gleisi, responsável pela articulação política do governo com o Congresso Nacional, a administração petista “jamais consideraria rebaixar a relação institucional com o presidente do Senado a qualquer espécie de fisiologismo ou negociações de cargos e emendas”.

“O governo repele tais insinuações, da mesma forma que fez o presidente do Senado em nota na data de hoje, por serem ofensivas à verdade, a ambas as instituições e a seus dirigentes”, escreveu Gleisi Hoffmann nas redes sociais.

A manifestação da ministra ocorre em um momento de relações estremecidas entre o governo Lula e a cúpula do Congresso Nacional. Alcolumbre e outros senadores estariam irritados com a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso.

Os parlamentares queriam que o nome escolhido por Lula fosse do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Sem a indicação atendida, Alcolumbre estaria acelerando o processo de Messias para que ele tenha pouco tempo para articular a sua aprovação no Senado. O AGU terá que enfrentar a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), no dia 10 de dezembro, onde precisa ser aprovado por uma maioria simples em votação secreta.

A indicação então vai seguir para o plenário do Senado, o que geralmente ocorre no mesmo dia. Nesse caso, a indicação deve ser aprovada pela maioria absoluta dos parlamentares, ou seja, pelo menos 41 dos 81 senadores. Somente no fim desse processo Messias poderá tomar posse no STF.

Neste domingo (30), Alcolumbre reclamou do atraso do governo para enviar oficialmente a indicação de Messias. Segundo ele, a demora parece uma maneira do Executivo de “indevidamente” no cronograma estabelecido pela Casa, prerrogativa exclusiva do Senado Federal. O senador também afirma que o prazo estipulado é coerente com as demais indicações.

Por sua vez, Gleisi Hoffmann afirmou que o respeito mútuo institucional presidiu a indicação pelo governo de dois dos atuais ministros do STF, do procurador-geral da República, em duas ocasiões, e de diretores do Banco Central e agências reguladoras.

“Todos esses processos transcorreram com transparência e lealdade de ambas as partes, respeitadas as prerrogativas do Executivo na indicação dos nomes e do Senado Federal na apreciação dos indicados”, completou.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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