Alcolumbre sobre indicação de Messias ao STF: ‘Prerrogativa do Senado aprovar ou rejeitar’

Presidente do Senado Federal afirma que governo tenta interferir no cronograma de votação da indicação do AGU ao Supremo

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), mandou um recado ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a indicação do AGU, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Em nota enviada à imprensa neste domingo (30), o parlamentar respondeu sobre uma suposta articulação para derrotar o nome indicado pelo petista a Corte.

Segundo Alcolumbre, parte do Executivo federal tenta criar a “falsa impressão” de que as divergências com o Senado são resolvidas por ajuste de interesse “fisiológico”, com cargos e emendas parlamentares. “Isso é ofensivo não apenas ao Presidente do Congresso Nacional, mas a todo o Poder Legislativo”, afirmou.

O senador pediu respeito ao processo legislativo de votação da indicação de Messias ao STF, marcado para o dia 10 de dezembro. O prazo dado pelo presidente do Senado é considerado apertado para que o AGU consiga aprovação de, pelo menos, 41 dos 81 senadores.

“Se é certa a prerrogativa do Presidente da República de indicar ministro ao STF, também o é a prerrogativa do Senado de escolher, aprovando ou rejeitando o nome. E é fundamental que, nesse processo, os Poderes se respeitem e que cada um cumpra seu papel de acordo com as normas constitucionais e regimentais”, disse.

Novo imbróglio com o Congresso

Alcolumbre, assim como parte do Senado, tinha como nome preferido para a vaga aberta com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, o do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Porém, o mineiro foi preterido por Lula, que o tinha como preferência para a disputa ao governo de Minas Gerais em 2026.

A indicação abriu uma nova frente de atrito do governo com o Congresso Nacional. Em uma tentativa de ganhar tempo para Messias articular sua aprovação com os senadores, o Palácio do Planalto ainda não enviou a mensagem oficial de indicação para a mesa diretora do Senado, mas publicou no Diário Oficial da União.

Segundo Alcolumbre, “causa perplexidade ao Senado que a mensagem escrita” não tenha sido enviada. Ele afirma que a manobra parece tentar interferir no cronograma de votação estabelecido pela Casa Alta.

“Aliás, o prazo estipulado para a sabatina guarda coerência com a quase totalidade das indicações anteriores e permite que a definição ocorra ainda em 2025, evitando a protelação que, em outros momentos, foi tão criticada. Portanto, o que se espera é que o jogo democrático seja conduzido com lisura”, completou.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.
Repórter de política em Brasília. Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), chegou na capital federal em 2021. Antes, foi editor-assistente no Poder360 e jornalista freelancer com passagem pela Agência Pública, portal UOL e o site Congresso em Foco.

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