Decisão sobre caso de estupro contra menina de 12 anos une direita e esquerda na ALMG

Revisão que restabeleceu condenação foi defendida por deputados de diferentes partidos na Assembleia

Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais (ALMG)

A decisão que restabeleceu a condenação de um homem de 35 anos acusado de estuprar uma menina de 12 anos, em Indianópolis, no Triângulo Mineiro, repercutiu na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e uniu parlamentares da direita e da esquerda. O caso ganhou notoriedade após a absolvição inicial considerar que havia relação “afetiva” entre o adulto e a vítima — entendimento que depois foi revertido.

O desembargador Magid Nauef Láuar, da 9ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, voltou atrás e manteve a sentença condenatória de primeira instância, além de determinar a prisão dos acusados. A mudança ocorreu após recurso do Ministério Público de Minas Gerais. A decisão ainda será analisada pelo plenário do tribunal.

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Na Assembleia, o deputado Bruno Engler (PL) classificou a revisão como “o mínimo” diante do que prevê o Código Penal, que estabelece que menores de 14 anos não têm capacidade legal para consentir relação sexual. Para ele, a absolvição anterior foi “absurda” e o caso precisa seguir sob apuração, inclusive no Conselho Nacional de Justiça.

“Eu considero que é o mínimo. O artigo 217A do Código Penal, ele é muito claro que uma criança menor de 14 anos não tem a capacidade de consentir a uma relação sexual. Então, independente se a criança diz que foi abuso ou que sofreu violência. A violência é presumida e a decisão anterior era absurda. Para mim é difícil até compreender um desembargador fazer esse voto e outro desembargador acompanhá-lo no voto. Então, a atitude do desembargador de reformar essa decisão é o mínimo que se espera”, disse.

Já a deputada Bella Gonçalves (Psol) afirmou que a revisão é resultado da pressão popular e da mobilização de mulheres e entidades de defesa dos direitos das crianças. “Isso não afasta as investigações que também estão sendo feitas sobre ele, em relação à própria conduta com crianças e também com trabalhadoras e estagiárias que hoje o denunciam por assédio sexual. A gente está acompanhando essas vítimas, estamos em contato com o CNJ, a nossa representação foi acolhida tanto pelo Tribunal de Justiça quanto pelo CNJ, mostrando que o caso não acaba aqui”, afirmou.

Após a decisão do desembargador de voltar atrás na absolvição, o homem e a mãe da menina foram presos.

Graduado em jornalismo e pós graduado em Ciência Política. Foi produtor e chefe de redação na Alvorada FM, além de repórter, âncora e apresentador na Bandnews FM. Finalista dos prêmios de jornalismo CDL e Sebrae.

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