Câmara aprova acordo comercial entre Mercosul e União Europeia; texto vai ao Senado

Texto facilita venda de produtos brasileiros na Europa e ainda será analisado pelo Senado

Bandeira do Mercosul

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (25) o acordo provisório de comércio entre o Mercosul e a União Europeia, que prevê a redução gradual de tarifas de importação entre os países dos dois blocos. O texto agora segue para análise do Senado.

O acordo trata da parte comercial da parceria entre os dois grupos econômicos e estabelece um prazo de até 18 anos para a redução total de impostos de importação em alguns produtos, permitindo adaptação gradual de empresas e produtores brasileiros.

O projeto foi relatado pelo deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), que defendeu a aprovação afirmando que a decisão vai além do comércio exterior.

“Não vamos votar apenas um texto. Vamos votar qual será o tamanho do Brasil no mundo”, disse.

No Brasil, representantes do agronegócio apoiaram o acordo, mas pediram proteção contra possíveis barreiras comerciais europeias.

O que muda na prática

Na prática, o acordo facilita a entrada de produtos brasileiros no mercado europeu, que reúne 27 países. A expectativa do governo e de parte do Congresso é que itens como carne, soja, café, minério e produtos industriais brasileiros possam chegar à Europa com preços mais competitivos.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que a medida reforça o perfil exportador do país.

Leia também

“Hoje a nossa Casa escreve um capítulo decisivo para nossa inserção no mercado global”, declarou.

Segundo ele, o período de negociação já foi suficiente e agora o foco deve ser aproveitar as oportunidades econômicas abertas pelo acordo.

Promessa de empregos

Defensores do texto afirmam que o aumento das exportações pode gerar empregos no Brasil. O líder da Maioria, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse que cada R$ 1 bilhão exportado para a Europa pode criar ou manter cerca de 22 mil empregos no país.

Entidades empresariais, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), também apoiam o acordo por enxergarem possibilidade de crescimento econômico.

Apesar da aprovação no Brasil, o acordo ainda enfrenta obstáculos na Europa. O Parlamento Europeu decidiu enviar o texto para análise da Justiça da União Europeia, processo que pode levar até dois anos.

Países como França, Hungria, Áustria e Irlanda demonstraram resistência, principalmente por temer aumento das importações agrícolas do Mercosul.

Parlamentares europeus argumentam que o acordo pode reduzir mecanismos de controle sobre produtos agropecuários vindos da América do Sul.

Críticas

Parte dos parlamentares criticou o texto por considerar que ele mantém uma relação desigual entre os blocos. Uma das críticas foi a deputada Duda Salabert (PDT-MG), que afirmou que o Mercosul pode continuar exportando produtos básicos, enquanto a Europa venderia tecnologia e produtos industrializados.

“É um erro achar que a América Latina vai se desenvolver vendendo montanha moída”, disse.

O líder do Psol, Tarcísio Motta (RJ), também avaliou que o acordo tende a ampliar desigualdades econômicas e criticou a falta de punições claras em caso de descumprimento de regras ambientais.

Caso seja aprovado pelo Senado e validado pelas instituições europeias, o acordo comercial poderá se tornar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 700 milhões de consumidores.

Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio

Ouvindo...