Homem e mãe de menina são presos após desembargador do TJMG voltar atrás de absolvição

Prisões foram efetuadas nesta quarta (25) pela Polícia Militar (PMMG) em Indianópolis, no Triângulo Mineiro

Manifestantes protestam em frente ao TJMG, em BH, na tarde desta quarta (25)

A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) prendeu na tarde desta quarta-feira (25) em Indianópolis, no Triângulo Mineiro, o homem e a mãe de uma menina por estupro de vulnerável. A informação foi confirmada por fontes à Itatiaia. O réu tinha 35 anos, e a vítima 12, na época dos fatos.

As prisões ocorreram após o desembargador Magid Nauef Láuar, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), voltar atrás e reformar a sentença que absolvia os réus. Os mandados de prisão foram cumpridos por equipes do 53º Batalhão.

Os fatos analisados no processo ocorreram em março de 2024. O homem havia sido preso em flagrante no dia 8 de abril do mesmo ano.

O condenado relatou que “namorou” por cerca de um mês com a vítima, de 12 anos, e morou com ela por uma semana. O caso foi descoberto pelas autoridades porque a criança parou de ir à escola.

Ao ser ouvido, o réu relatou que o “relacionamento” tinha o consentimento da criança e era apoiado pela família. No entanto, a legislação proíbe qualquer prática sexual com menores de 14 anos.

Em 27 de novembro de 2025, a Comarca de Araguari condenou o homem e a mãe da menina a 9 anos e 4 meses de prisão por estupro de vulnerável.

Os condenados recorreram da decisão, e o recurso foi analisado pela 9ª Câmara Criminal do TJMG. Em 11 de fevereiro, os desembargadores, por maioria, absolveram os réus.

Relator do caso, o desembargador Magid Nauef Láuar aplicou a técnica jurídica distinguishing (distinção) e considerou, entre outros argumentos, que a relação entre réu e vítima era uma “formação familiar” e o homem não deveria ser punido, assim também absolvendo a mãe.

Após a divulgação da decisão, manifestantes se reuniram em frente ao TJMG e realizaram um protesto para pedir justiça e proteção às crianças.

Em resposta, o MPMG recorreu e reforçou que “o crime de estupro de vulnerável ocorre independentemente de haver consentimento da vítima ou relacionamento amoroso”.

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Repórter no portal da Itatiaia. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Repórter policial e investigativo, apresentador do Itatiaia Patrulha.

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