Gari vítima de tragédia das chuvas em Juiz de Fora desfilou no Carnaval dias antes de morrer

Deogracia Aurélia Fernandes concedeu entrevista à Itatiaia e expressou seu amor à profissão; ela foi uma das pessoas que morreram na tragédia que atingiu a cidade mineira

Deogracia Aurélia Fernandes foi sepultada nesta quarta-feira (25)

Deogracia Aurélia Fernandes, de 57 anos, que trabalhava como gari, morreu soterrada em decorrência da tempestade histórica que atingiu Juiz de Fora, na Zona da Mata de Minas Gerais, neste semana. Poucos dias antes da tragédia, na segunda-feira de Carnaval (16), ela desfilou no bloco “Garizada” e concedeu entrevista à Itatiaia.

Na ocasião, a servidora do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (Demlurb) agradeceu a todos os colaboradores que fizeram o bloco de Carnaval acontecer. No vídeo, Deogracia descreve seus colegas de trabalho como “família”. Confira:

Deogracia com colegas que também desfilaram no bloco “Garizada” em Juiz de Fora

A entrevista foi registrada pela equipe da Itatiaia em Juiz de Fora antes do desfile da Rivais da Primavera, que ficou em 2º lugar no Grupo Especial. A escola emprestou a bateria para o Garizada, que desfilou no domingo (15), bloco estreante no Carnaval. Em contrapartida, as integrantes do bloco saíram como uma ala na escola.

Deogracia voltaria a trabalhar no Demlurb nesta semana. Ela foi uma das vítimas que morreram soterradas após as fortes chuvas que atingiram Juiz de Fora. A servidora morava sozinha e chegou a compartilhar com os amigos a ansiedade pelo retorno ao trabalho que tanto amava.

“Ela trabalhava há uns quatro anos na Demlurb. Muito feliz, muito alegre. Cheguei a ir na casa dela umas duas vezes. A Demlurb ia chamar ela de novo. Ela estava toda feliz. Era apaixonada pela Demlurb”, relembra a auxiliar de serviços gerais Suzana Aparecida, de 59 anos.

Sandra Helena, de 49 anos, que também servidora da Demlurb, disse que a morte da amiga “foi um baque bem grande”. “Eu não acreditei. Chorei. Ela era alegre, brincalhona, e dizia que seria minha madrinha de casamento”, contou.

Deogracia foi sepultada no Cemitério Municipal de Juiz de Fora nesta quarta-feira (25).

Tragédia em Juiz de Fora

A cidade de Juiz de Fora recebeu um grande volume de chuva de 190mm durante segunda (23) e terça-feira (24) e um acumulado de 584mm, tornando o fevereiro o mês mais chuvoso da história da cidade durante o mês de fevereiro A informação foi confirmada pela prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT), que decretou estado de calamidade pública.

O último levantamento divulgado pelo Corpo de Bombeiros de Minas Gerais (CBMMG) confirmou 46 mortes no município. Outras 21 pessoas ainda não foram localizadas e 3.400 estão desabrigadas* ou desalojadas**

* Desabrigada é a pessoa que foi obrigada a abandonar sua habitação, de forma temporária ou definitiva, e necessita de abrigo público.
** Desalojada é a pessoa que foi obrigada a abandonar sua habitação, de forma temporária ou definitiva, e não carece de abrigo público. Em geral, vai para a casa de amigos ou parentes até a resolução do problema.

Outras cidades na Zona da Mata mineira como Matias Barbosa e Ubá também foram atingidas pela chuva. A Itatiaia está atualizando o número de mortes, desaparecidos e desabrigados em tempo real à medida que prefeituras e Corpo de Bombeiros divulgarem novos balanços. Acompanhe aqui.

*Com Estadão Conteúdo

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Natural de Juiz de Fora, jornalista com graduação e mestrado pela Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Experiência anterior em Rádio, TV e Internet. Gosta de esporte, filmes e livros. Editora Web na Itatiaia Juiz de Fora desde 2023. Tricampeã na categoria Web/Mídias Digitais no Prêmio Oddone Turolla de Jornalismo, do Sindicomércio JF.
Désia Souza é jornalista pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), onde também cursou pós graduação em “Mídia e Cidadania” e mestrado em “Comunicação e Poder”. É coordenadora de jornalismo na Itatiaia Juiz de fora, onde também atua como âncora e repórter.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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