Câmara aprova projeto que aumenta cotas raciais em concursos públicos

Proposta amplia de 20% para 30% a proporção das cotas nos concursos públicos e inclui a população indígena e quilombola

O plenário da Câmara

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (19), por 241 votos favoráveis e 94 contrários, o projeto de lei que aumenta as cotas raciais oferecidas nos concursos públicos federais. Como a relatora, Carol Dartora (PT-PR), fez mudanças no texto, a proposta terá que passar por uma nova análise do Senado.

O texto, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), amplia de 20%, como é atualmente, para 30% a proporção das cotas nos concursos públicos e inclui a população indígena e quilombola.

Hoje, só há reserva de vagas para a população negra (pretos e pardos).

De acordo com o projeto, as cotas valerão sempre que forem ofertadas duas ou mais vagas e será aplicada se, eventualmente, surgirem outras durante a validade do concurso.

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A regra será aplicada em processos seletivos simplificados e envolverá a administração pública direta, autarquias, fundações, empresas e sociedades de economia mista controladas pela União.

A oposição tentou obstruir a votação com a apresentação de requerimentos de retirada de pauta e adiamento da discussão. Em seus discursos, os deputados Marcel van Hattem (Novo-RS), Hélio Lopes (PL-RJ) e Cabo Gilberto Silva (PL-PB) afirmaram que o projeto tem o objetivo de “dividir” a sociedade brasileira.

Por fim, a relatora chegou a um acordo para acatar sugestões da oposição e permitir a votação do texto ainda nesta terça.

Foi retirado o artigo que instituia bancas de heteroidentificação para validação de autodeclarações raciais. Além disso, a relatora também reduziu de dez para cinco anos a revisão da política de cotas, que passará a ser feita pelo governo federal.


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Repórter de política em Brasília. Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), chegou na capital federal em 2021. Antes, foi editor-assistente no Poder360 e jornalista freelancer com passagem pela Agência Pública, portal UOL e o site Congresso em Foco.

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