Em delação premiada à Polícia Federal (PF), o ex-policial Ronnie Lessa, assassino confesso da vereadora Marielle Franco (PSOL) detalhou o envolvimento do
Nesta sexta-feira (7), o ministro
Em um manuscrito anexado ao documento, Ronnie Lessa afirma que o
Lessa se refere a Rivaldo Barbosa como “personagem imprescindível” tanto no pré como no pós crime e que foi mencionado pelos Brazão como “garantia para o bom desfecho da missão”, ou seja, do assassinato de Marielle Franco. Lessa também se refere ao delegado como “guru” e “carta branca”.
Manuscrito sobre reuniões com presença dos irmãos Brazão foi incluído em delação de Ronnie Lessa
“Rivaldo é nosso”
“Seu nome foi claramente citado e incluído como parte integrante do plano que nos foi revelado que a ‘DH [Delegacia de Homicídios, que foi chefiada por Rivaldo Barbosa] já está no bolso, lá é tudo nosso’”, diz Lessa em trecho da delação.
Brazão é referido como “padrinho” durante a conversa e teria dito em uma primeira reunião. Ele também teria dito que Rivaldo “segura tudo lá [na delegacia]”. “Sai mais barato o pré-pago do que arriscar um bote”, teria dito Brazão sobre o fato de ter combinado previamente o envolvimento de Rivaldo Barbosa no crime.
Na segunda reunião, Ronnie Lessa afirma ter proposto uma mudança no plano, para executar Marielle a partir da Câmara de Vereadores, mas que ouviu de Domingos Brazão uma reprimenda, no sentido de seguir as orientações de Rivaldo Barbosa.
“Logo após sugerirmos a ideia, ouvimos de Domingos: 'é exigência do Rivaldo, temos que cumprir do jeito que ele determinou, não podemos passar por cima das ordens dele’”, diz Lessa ainda no manuscrito anexado ao processo.
Na terceira e última reunião o nome de Rivaldo é novamente citado, ainda de acordo com a delação de Ronnie Lessa, quando ele diz ter sido mencionado que a PCERJ [sigla para Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro] já “estava na mão de ponta a ponta” e que o “Rivaldo está no circuito diretamente com a gente”. Lessa também diz que o delegado teria recebido algo pelo crime e direcionaria a investigação para “outro lado”.
“Ele se comprometeu conosco que vai resolver, até porque já recebeu para isso desde o ano passado. Podem relaxar porque nós já estamos direcionando o canhão para outro lado, estamos dando a nossa palavra”, disse Lessa citando declarações de Brazão no encontro.
Rivaldo Barbosa está preso e nega envolvimento
Rivaldo Barbosa foi preso no dia 24 de março de 2024 em uma operação derivada das investigações sobre o assassinato de Marielle Franco. Ele foi alvo de mandado de prisão no mesmo dia em que os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão foram presos.
A revelação da suspeita de envolvimento do delegado da Polícia Civil pegou de surpresa tanto familiares de Marielle Franco como aliados mais próximos, como o ex-deputado federal Marcelo Freixo (PSOL).
“Foi para Rivaldo Barbosa que liguei quando soube do assassinato da Marielle e do Anderson e me dirigia ao local do crime. Ele era chefe da Polícia Civil e recebeu as famílias no dia seguinte, junto comigo. Agora Rivaldo está preso por ter atuado para proteger os mandantes do crime, impedindo que as investigações avançassem. Isso diz muito sobre o Rio de Janeiro”, afirmou o hoje presidente da Embratur no dia da prisão do delegado, em uma rede social.
Quem é Rivaldo Barbosa?
O delegado Rivaldo Barbosa assumiu a chefia da Polícia Civil no dia 13 de março de 2018, exatamente um dia antes do assassinato de Marielle Franco e do motorista da vereadora, Anderson Gomes. Ele permaneceu no cargo de março a dezembro de 2018, durante os primeiros meses da investigação do caso Marielle. Dias após o crime, Rivaldo se reuniu com a bancada do Psol, partido da vereadora assassinada, e garantiu que o crime seria esclarecido ‘o mais rápido possível’.
Rivaldo foi quem informou ao então chefe da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), Giniton Lages, que três delegados da Polícia Federal teriam identificado uma possível testemunha do crime, o então policial militar Rodrigo Ferreira,. ‘Ferreirinha’ teria testemunhado uma conversa entre Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando da Curicica, e o vereador Marcello Siciliano, em que os dois teriam planejado o assassinato de Marielle. Uma investigação da PF, porém, comprovou que a informação era falsa.