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PSDB rebate acusação de Mateus Simões sobre propina na construção da Cidade Administrativa

Partido diz se orgulhar de obra concluída em 2010 e diz que governo Zema deve parar de transferir responsabilidades

Problemas na Cidade Administrativa e acusação de propina motivaram crítica de vice-governador ao PSDB

As críticas do vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (Novo), às gestões anteriores que culminaram nos problemas detectados na construção de elevadores na Cidade Administrativa, sede do governo mineiro, rendeu uma nota de repúdio por parte do PSDB.

Representado por Aécio Neves, o PSDB governava o Estado de Minas Gerais em março de 2010, quando a então nova sede administrativa foi inaugurada no bairro Serra Verde, região Norte de Belo Horizonte.

Em entrevista coletiva concedida nesta sexta-feira (10), Simões disse que autoridades que governavam o estado estavam mais preocupados com “propina” do que em garantir a segurança dos servidores. Todos os equipamentos dos dois principais prédios da Cidade Administrativa foram paralisados e servidores foram enviados para o trabalho remoto nesta sexta após um laudo pericial ter identificado uma série de problemas estruturais.

“O que me deixa indignado é que quem deveria ter tomado conta dessas obras lá atrás, não se preocupou com a questão da segurança, estavam tão preocupados com o recebimento de propina e superfaturamento desses prédios que não se preocupam em garantir a segurança de elevadores que transportam mais de 8 mil pessoas todos os dias”, afirmou Mateus Simões, que foi filiado ao PSDB até 2016.

Em nota assinada pelo presidente estadual do PSDB, deputado federal Paulo Abi-Ackel, e divulgada à imprensa na tarde desta sexta (10), a legenda rebate as declarações do vice-governador — a quem chamou de “figura menor na política mineira” — e alfinetou a secretária de Estado de Planejamento e Gestão, Luísa Barreto (também ex-filiada ao partido, hoje no Novo) e o governador Romeu Zema (Novo), a quem diz que “tenta transferir responsabilidades sem assumir as suas”.

“O governo Zema, já no seu sexto ano de exercício sem qualquer realização a apresentar, prefere politizar de forma vergonhosa uma questão que, pela sua relevância, deveria estar sendo tratada com maior seriedade e responsabilidade”, diz trecho do comunicado.

A nota do PSDB diz, ainda, que o partido se orgulha da construção da sede administrativa do governo, “que trouxe extraordinária economia aos cofres do estado, foi entregue há 14 anos, depois de análise de todos os órgãos de fiscalização, em pleno e correto funcionamento”.

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Denúncia de propina

A acusação de Mateus Simões sobre “propina” relacionada à Cidade Administrativa se baseia em vários acordos de leniência assinados por construtoras que participaram da obra e que confessaram a ocorrência de “irregularidades”. Uma delas é a Andrade Gutierrez, que se comprometeu a devolver R$ 128 milhões ao Estado de Minas Gerais nos próximos anos. O acordo foi assinado em 2021, mas os trechos que detalham as “irregularidades” foram postos em sigilo pelo próprio governo Zema.

"É inacreditável que alguém defenda que não há ligação entre o desvio de dinheiro e a falta de qualidade construtiva”, continou Simões na entrevista coletiva.

Na réplica do PSDB, o partido tucano sugere ao vice-governador que, se há dúvidas “sobre a qualidade ou a lisura dessa obra”, que consulte a secretária Luísa Barreto, “que participou das administrações tucanas e acompanhou de perto todo o complexo processo de implantação da Cidade Administrativa”.

O PSDB encerra: “Sugerimos ainda ao Governo Zema mais trabalho e menos oportunismo. É isso que os mineiros, e em especial os servidores tão maltratados por seu Governo, esperam
dele”.


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Editor de política. Foi repórter no jornal O Tempo e no Portal R7 e atuou no Governo de Minas. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem MBA em Jornalismo de Dados pelo IDP.
Editor de Política. Formado em Comunicação Social pela PUC Minas e em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já escreveu para os jornais Estado de Minas, O Tempo e Folha de S. Paulo.