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Joias, 8 de janeiro, cartão de vacina: Bolsonaro presta 6º depoimento à PF em 10 meses

Ex-presidente volta à Polícia Federal como alvo de nova investigação: um suposto plano de golpe de Estado

Após pedir o adiamento de um depoimento à Polícia Federal (PF) por três vezes, o ex-presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), é aguardado na sede da corporação para explicar seu envolvimento em um suposto plano de golpe de Estado que vem sendo investigado pela operação Tempus Veritatis.

A oitiva do ex-presidente e de outros 10 alvos da operação está marcado, de forma simultânea, para a tarde desta quinta-feira (22). A tendência, é que ele fique em silêncio.

Veja mais: Vacinação, joias, sistema eleitoral: os desgastes de Bolsonaro na Justiça desde que deixou o Planalto

Além de Bolsonaro, o Supremo Tribunal Federal (STF) também intimou ex-ministros, ex-assessores e militares de alta patente do Exército. Entre eles estão os que participaram de uma reunião em julho de 2022 em que foram discutidas medidas para “virar a mesa” antes mesmo das eleições, conforme disse o ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general da reserva Augusto Heleno.

Essa é a sexta vez em que Bolsonaro é intimado a prestar depoimento em investigações das quais ele faz parte. O ex-presidente deixou o Brasil no fim de dezembro, antes do término de seu mandato, e retornou ao país no fim de março. Desde então foi ouvido sobre os seguintes casos:

Relembre os casos e saiba em que o ex-presidente foi implicado:

Caso das joias

O primeiro depoimento de Bolsonaro, desde que deixou a Presidência, foi sobre o caso das joias. Em 5 de abril de 2023, pouco mais de um mês após retornar dos Estados Unidos, ele foi intimado a prestar explicações sobre a suposta tentativa, por parte do ex-ministro de Minas e Energia, o almirante Bento Albuquerque, de entrar ilegalmente no país com presentes vindos da Arábia Saudita. Os objetos foram apreendidos por servidores da Receita Federal.

Em uma oitiva que durou cerca de três horas, Bolsonaro disse ter tomado conhecimento sobre o caso em dezembro de 2022 - um ano após a chegada dos presentes ao Brasil.

Bolsonaro também corroborou a tese da defesa de que a tentativa de liberação das joias junto à Receita Federal, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, foi para tentar evitar um “vexame diplomático” ao ter um presente recebido por chefe de Estado estrangeiro confiscado por autoridades brasileiras.

Por fim, ele alegou, ainda, nunca ter praticado qualquer irregularidade.

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8 de janeiro

No dia 26 de abril de 2023, o ex-presidente foi intimado a depor sobre os atos antidemocráticos de 8 de janeiro daquele ano, quando apoiadores de seu governo invadiram, depredaram e saquearam as sedes do Executivo, Legislativo e Judiciário federal.

Na ocasião, agentes da Polícia Federal questionaram o ex-presidente sobre um vídeo compartilhado em seu perfil oficial no Facebook dois dias após os atos violentos. O vídeo, em questão, questionava os resultados das eleições de outubro do ano anterior e foi apagado cerca de duas horas depois.

À PF, ele disse que iria salvar o vídeo que recebeu em seu celular, mas compartilhou por engano. Seu advogado, Paulo Cunha Bueno, foi além e disse que, na data do compartilhamento do vídeo, em 10 de janeiro de 2023, o ex-presidente havia acabado de receber alta após uma internação hospitalar e estava sob o efeito de morfina, o que o levou a compartilhar o vídeo de forma “equivocada”.

Falsificação de cartões de vacina

Em 16 de maio daquele mesmo ano, Bolsonaro voltou a se reunir com agentes da Polícia Federal para explicar um suposto esquema de fraudes em cartões de vacinação contra a Covid-19. Ele chegou a ser alvo de uma operação e teve o celular apreendido.

A mesma operação da Polícia Federal prendeu o tenente-coronel do Exército, Mauro Cid, que também teve aparelhos apreendidos - o que ajudou a produzir provas para outros casos, como a da tentativa de golpe de Estado. O vídeo da reunião de Bolsonaro com ministros e auxiliares próximos, em julho de 2022, estava salvo em seu computador.

De acordo com as investigações, Cid estaria por trás de um esquema de inserção de dados falsos no sistema eletrônico do SUS para incluir dados sobre a vacinação contra a Covid-19. O objetivo era ter um registro de que pessoas que não haviam sido vacinadas foram imunizadas, já que alguns países exigiam à época, a comprovação de vacinação para entrada em seu território.

Plano para grampear Moraes

Em julho de 2023, Bolsonaro teve que ir à sede da Polícia Federal para explicar um suposto plano discutido com o senador Marcos do Val (Podemos-ES) e o então deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ) - que hoje está preso - para grampear o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

Bolsonaro teve o nome citado pelo senador que disse que, em uma reunião, o trio discutiu formas de colocar o plano em prática. Depois, Marcos do Val disse que Bolsonaro ficou em silêncio durante todo o encontro, algo que foi corroborado pelo próprio Bolsonaro no dia do depoimento.

“Nada foi tratado. Nenhum plano para gravar o ministro Alexandre de Moraes foi discutido naquela reunião que durou, aproximadamente, vinte minutos. Fiquei em silêncio”, declarou.

Plano de empresários para um golpe de Estado

O quinto depoimento de Bolsonaro ocorreu em 31 de agosto do ano passado e ocorreu em meio a uma investigação aberta contra empresários apoiadores do ex-presidente que discutiam a possibilidade de um golpe de Estado em caso de vitória de Lula nas eleições.

Entre os citados estavam José Isaac Peres, Ivan Wrobel, José Koury, André Tissot, Marco Aurélio Raimundo, Afrânio Barreira, Meyer Nigri e Luciano Hang. As investigações foram arquivadas neste ano.

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Editor de política. Foi repórter no jornal O Tempo e no Portal R7 e atuou no Governo de Minas. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem MBA em Jornalismo de Dados pelo IDP.
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