Como a consolidação da candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência afeta o governador Zema?

Tarcísio de Freitas segue como o governador de oposição mais competitivo, mas cai a diferença entre Flávio e Lula em segundo turno. Desempenho eleitoral de Zema é o pior entre governadores de oposição

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), segue como o nome que seria mais difícil de ser enfrentada pelo presidente Lula (PT) em um eventual cenário de segundo turno das eleições presidenciais de outubro: simulação desse cenário dá a Lula 44% das intenções de voto e 39% a Tarcísio. Mas, no intervalo de pouco mais de um mês, a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) se consolida, reduzindo a distância em favor de Lula de dez para sete pontos percentuais nas simulações de segundo turno: agora, Lula teria 45% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro, 38%. Flávio Bolsonaro cresceu no grupo de eleitores da direita não bolsonarista, mas antipetista e mesmo entre bolsonaristas, que agora têm clareza de que não se trata de um balão de ensaio.

Esses são resultados da mais recente pesquisa Genial Quaest, e da pesquisa Meio Ideia, divulgados esta semana. Apontam na mesma direção: politicamente, esses números colocam fim às esperanças de parte do Centrão, que ainda apostava na possibilidade de recuo de Flávio Bolsonaro em favor do governador de São Paulo. Esse é um tema sensível no meio bolsonarista raiz, que criticou nesta quinta-feira a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro, por ter compartilhado post de Tarcísio de Freitas e curtido comentário da esposa dele, que sugere que o governador de São Paulo poderá ainda concorrer.

O novo cenário eleitoral na disputa presidencial não favorece a pré-candidatura do governador Romeu Zema (Novo) à Presidência da República. Entre idas e vindas, Zema pretende antecipar em 13 dias a sua despedida do governo de Minas. Pela lei, o prazo de desincompatibilização é 4 de abril, seis meses antes do pleito. Zema que no ano passado anunciou que deixaria o governo um mês antes do prazo legal, agora empurra a sua permanência no cargo, o que lhe dá maior visibilidade política. O desempenho eleitoral de Zema, segundo as pesquisas, segue como o pior entre os governadores presidenciáveis: em simulações de segundo turno, Lula teria 46% das intenções de voto contra 31% de Romeu Zema, diferença de 15 pontos percentuais. Essa distância entre Lula e os demais governadores de oposição cai para 11 pontos percentuais com Ronaldo Caiado, para 7 pontos percentuais com Ratinho e para 5 pontos percentuais com Tarcísio de Freitas.

Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, a rejeição individual de Romeu Zema cresceu de 23% para 33%, aumento de 13 pontos percentuais dos eleitores que afirmam conhecer o mineiro e não votar nele de jeito algum. Ao mesmo tempo, o nível de desconhecimento do mineiro caiu de 62% para 52% - dez pontos percentuais - e o grupo daqueles eleitores que dizem conhecer Zema e votar nele oscilou negativamente de 15% para 12%. Esse desempenho, que aponta para problemas na estratégia de comunicação do governador mineiro, também infla especulações, no meio político, de que embora Zema declare que irá concorrer ao Palácio do Planalto, - como não será o vice de Flávio Bolsonaro – poderá, no meio do caminho, disputar o Senado Federal. Por enquanto, são especulações que frequentam os grupos de aliados do próprio governador, desmentidas por Zema, que segue declarando que vai disputar a Presidência da República.

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Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora

A opinião deste artigo é do articulista e não reflete, necessariamente, a posição da Itatiaia.

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