Durante as eleições de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) será presidido por Nunes Marques, com André Mendonça na vice-presidência. Já o Supremo Tribunal Federal (STF) terá Edson Fachin como presidente e Alexandre de Moraes como vice.
A composição com perfis diferentes à frente das duas Cortes já provoca debates no meio jurídico, faltando menos de um ano para o início do processo eleitoral.
A diferença de trajetórias e estilos entre os ministros é apontada por especialistas como um fator relevante para a condução institucional do pleito. No TSE, Nunes Marques e André Mendonça foram as duas indicações do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao STF.
No Supremo, Edson Fachin foi indicado pela ex-presidente Dilma Rousseff, enquanto Alexandre de Moraes é considerado por muitos o algoz de Bolsonaro.
Para a advogada Daniela Poli Vavianos, o contraste entre os perfis pode influenciar a dinâmica entre as Cortes durante o período eleitoral.
Segundo ela, Nunes Marques e André Mendonça tendem a adotar uma postura mais discreta, enquanto Fachin e Moraes têm atuação mais exposta publicamente.
“Nunes Marques e André Mendonça são ministros com perfis mais discretos e contidos, com uma atuação menos personalista. Já Edson Fachin e Alexandre de Moraes têm um perfil de maior exposição pública”, avalia.
Nos bastidores do Judiciário, porém, a leitura é de cautela. Integrantes das Cortes avaliam que ainda é cedo para prever como Nunes Marques conduzirá o TSE. O ministro assume a presidência da Justiça Eleitoral apenas em junho de 2026, pouco mais de três meses antes do primeiro turno.
O cientista político Alexandre Rocha destaca que o STF tem sido cada vez mais acionado para decidir questões de natureza política, movimento que, segundo ele, decorre mais de provocações externas do que de iniciativa da própria Corte.
“O STF hoje é cada vez mais demandado para atuações políticas, não necessariamente por vontade própria, mas porque o contexto exige. Moraes tem tido um papel muito ativo nos últimos anos. No TSE, Nunes Marques terá um grande desafio, porque as eleições são fundamentais não apenas para o Brasil, mas para toda a América Latina”, afirma.
Com presidências de perfis distintos no STF e no TSE, especialistas avaliam que o desenho institucional das eleições de 2026 começa a ser traçado desde já, em um ambiente de polarização política.
Judicialização deve marcar o pleito
A expectativa entre juristas é de que as eleições de 2026 sejam marcadas por forte judicialização. Para o doutor em Direito Ricardo Yamin, a polarização política tende a tornar o processo mais conflituoso e a ampliar o número de ações na Justiça Eleitoral.
“Teremos uma eleição bastante acirrada, com influências externas relevantes e muita troca de ataques entre os campos políticos. Isso deve aumentar a judicialização, o que significa que o TSE será acionado de forma recorrente ao longo do processo”, avalia.
Especialistas afirmam que a combinação entre polarização política e uso crescente de instrumentos jurídicos por partidos e candidatos pode transformar o pleito de 2026 em um dos mais desafiadores da história recente da Justiça Eleitoral.