Oposição quer barrar decreto de Zema que muda como estado comanda estatais

A medida define critérios para identificar quais empresas são consideradas dependentes do Tesouro Estadual e cria regras mais duras para essas companhias

Deputado Professor Cleiton (PV)

O governo de Minas Gerais publicou um decreto que muda a forma como o estado classifica e acompanha as empresas públicas. A medida define critérios para identificar quais estatais são consideradas dependentes do Tesouro Estadual e cria regras mais duras para essas companhias, incluindo limites para contratações, reajustes salariais, benefícios e até a possibilidade de extinção ou fusão.

Na prática, o decreto estabelece que empresas que recebam recursos do estado para pagar despesas de pessoal, custeio ou investimentos podem ser classificadas como dependentes. Caso isso aconteça, elas passam a ser monitoradas por um comitê do próprio governo e são obrigadas a apresentar um Plano de Recuperação Econômico-Financeira, com validade de até dois anos.

Durante a execução desse plano, ficam proibidos aumentos salariais, criação de cargos, ampliação de benefícios, novas contratações e distribuição de lucros acima do mínimo legal. Ao final do processo, o comitê pode decidir se a empresa deixa de ser dependente ou se permanece nessa condição — e, em alguns casos, recomendar a extinção, fusão ou transformação da estatal.

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O governo argumenta que o decreto busca cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal e dar mais controle às contas públicas. Mas a medida tem gerado reação na Assembleia Legislativa. Críticos apontam que o decreto concentra poder no Executivo e pode afetar empresas e fundações criadas por lei, sem passar pelo debate no Legislativo.

O deputado estadual e professor Cleiton (PV) apresentou um projeto de resolução na Assembleia para suspender o decreto, alegando invasão de competência do Legislativo. Ele afirma que o decreto ultrapassa os limites legais e ameaça a autonomia das estatais.

“Do ponto de vista da Assembleia Legislativa, é um desrespeito ao Poder Legislativo porque muitas dessas fundações estatais foram criadas por leis próprias específicas, o que dá a entender que o governo pode vir a extinguir serviços como da Fucam, da Funed, da Fhemig, da empresa mineira de comunicação, e é por isso que eu entrei com um projeto de resolução que susta esse decreto e que devolve à Assembleia Legislativa o direito de votar ou não sobre quaisquer reformas administrativas”, diz.

O projeto deve ser discutido após o recesso parlamentar. A reportagem da Itatiaia procurou representantes da base na Assembleia e do governo de Minas para comentar o tema, mas não teve retorno.

Graduado em jornalismo e pós graduado em Ciência Política. Foi produtor e chefe de redação na Alvorada FM, além de repórter, âncora e apresentador na Bandnews FM. Finalista dos prêmios de jornalismo CDL e Sebrae.

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