O ex-governador do Ceará e ex-ministro,
Ciro Gomes (PSDB), comentou, pela primeira vez, as
críticas feitas a ele pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).
Durante um encontro com a oposição ao
governador Elmano de Freitas (PT), na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), em Fortaleza, nesta sexta-feira (16), Ciro afirmou que não está “disposto a vender a alma para disputar a presidência da República ou, quanto mais, para qualquer outro tipo de missão”.
Em novembro do ano passado, poucos dias após o ex-presidente
Jair Bolsonaro (PL) ter sido preso na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, Michelle participou do lançamento da pré-candidatura do senador
Eduardo Girão (Novo-CE) ao governo do Ceará. No evento, ela criticou o deputado federal e presidente estadual do PL,
André Fernandes, por ter “se precipitado” ao propor uma aliança com Ciro Gomes.
A ex-primeira-dama afirmou que “não dá" para fazer aliança com “o homem que é contra o maior líder da direita”.
Após a repercussão, o PL anunciou a suspensão das negociações com o
PSDB no Ceará — o partido, no entanto, não descarta lançar Ciro como candidato ao governo do Estado.
Na Alece, nesta sexta-feira, Ciro afirmou que as críticas que fez a Bolsonaro também foram direcionadas ao presidente Lula (PT). “O Lula e eu esculhambamos o Bolsonaro porque ele liberou R$ 30 bilhões em emendas sem critério nenhum. O Lula agora também estava liberando R$ 60 bilhões, o dobro. A gente esculhambava porque era o Bolsonaro e agora a ‘petezada’ diz que é governabilidade”, declarou.
As falas de Michelle, além de provocarem uma crise no PL cearense, também geraram divisão interna na família Bolsonaro. O senador
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) classificou a postura da ex-primeira-dama como “autoritária” e disse que ela “atropelou” uma articulação previamente autorizada pelo pai.
O ex-vereador
Carlos Bolsonaro (PL-RJ) também afirmou que a negociação com o PSDB não havia sido autorizada pelo ex-presidente e classificou o gesto da madrasta como “injusto e desrespeitoso”.
Em nota divulgada à época,
Michelle afirmou não saber qual era a posição de Bolsonaro no Ceará, mas manteve seu posicionamento, apesar de pedir desculpas aos enteados. “No episódio de Fortaleza, eu fui apenas uma esposa defendendo o seu marido e a sua família de um homem que sempre nos atacou”, disse.