Ouça a rádio

Ouvindo...

Times

Em carta, prefeitos culpam mineradoras por frustração em acordo por desastre de Mariana

Negociações para um acordo de reparação chegaram a ser interrompidas depois que empresas ofereceram contrapartida no valor de um terço do recurso

Prefeitos de cidades que integram a Bacia do Rio Doce responsabilizam as mineradoras Vale, BHP Billiton e Samarco pelo atraso na conclusão de um acordo de repactuação para minimizar os danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, na região Central de Minas, em 2015.

Em carta publicada nesta quarta-feira (21), o prefeito de São José do Goiabal, José Roberto Gariff Guimarães, presidente do Consórcio Público de Defesa e Revitalização do Rio Doce (Coridoce), diz repudiar o “desinteresse e o descompromisso das empresas (...) na busca por uma justa reparação para os municípios e para todos os afetados, direta ou indiretamente, pelo maior crime ambiental da história do Brasil”.

Conforme já mostrou a Itatiaia, os governos de Minas Gerais e Espírito Santo, além do governo federal, Ministério Público e Defensoria Pública apresentaram uma proposta de reparação de cerca de R$ 120 bilhões, mas ouviram das mineradoras, uma contraproposta muito menor, de R$ 40 bilhões, no fim do ano passado.

A oferta irritou os envolvidos na mesa de negociação, que acabou sendo suspensa. Interlocutores do governo mineiro e da União, no entanto, aguardam novidades até o mês que vem.

Nesta quarta-feira (21), prefeitos das cidades mineiras de São José do Goiabal, Governador Valadares, Sem Peixe, Rio Casca, e capixabas, de Linhares e Colatina se reuniram para tratar do assunto. Em comum, além das críticas às mineradoras, as prefeituras desejam fazer parte do processo de negociação do acordo.

Leia também

“Os Municípios atingidos, representados pelo CORIDOCE, somente assinarão a Repactuação se conseguirem negociar os termos do acordo afetos aos seus direitos. Reafirmamos nosso compromisso em lutar por uma reparação justa e necessária para todos os afetados pela tragédia”, diz trecho da carta.

Ao todo, 39 cidades - 36 em Minas Gerais e três no Espírito Santo - foram atingidas pelo desastre, que contaminou, com 40 milhões de metros cúbicos de rejeito de minério, as águas do Rio Doce, principal fonte de subsistência para comunidades que vivem nestes municípios. O desastre também foi a causa de morte de 19 pessoas.

Os prefeitos pedem agilidade no processo e apoio dos governos federal, estaduais e das empresas responsáveis para que as contrapartidas ao desastre e compensações aos prejuízos sejam definitivamente resolvidas.

“Nós esperamos que o presidente da República, do STF, os dois governadores, a AGU chamem os CEOs da Vale, BHP Billiton e Samarco, uma vez que, três anos depois de deiscussão em uma mesa de negociação, chegou-se em um modelo que, na teoria as empresas concordaram. Mas como concordam e vêm com uma proposta tão desrespeitosa no campo financeiro?”, questiona Guimarães.

Participe do canal da Itatiaia no Whatsapp e receba as principais notícias do dia direto no seu celular. Clique aqui e se inscreva.

Tem mais de 27 anos de experiência jornalística, como gestor de empresas de comunicação em Minas Gerais. Já foi editor-chefe e apresentador de alguns dos principais telejornais do Estado em emissoras como Record, Band e Alterosa, além de repórter de rede nacional. Foi editor-chefe do Jornal Metro e também trabalhou como assessor de imprensa no Senado Federal, Tribunal de Justiça de Minas Gerais e no Sesc-MG. Na Itatiaia, onde está desde abril de 2023, André é repórter multimídia e apresentador.
Editor de política. Foi repórter no jornal O Tempo e no Portal R7 e atuou no Governo de Minas. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem MBA em Jornalismo de Dados pelo IDP.
Leia mais