Nikolas vê ‘fábula’ em suposta relação de Bolsonaro com venda de joias e critica Delgatti

Deputado federal pediu ‘investigação justa’ sobre supostas transações de artigos dados ao Estado brasileiro e criticou hacker que foi inquirido por congressistas da CPMI

À Itatiaia, Nikolas defendeu Bolsonaro de recentes acusações

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) disse, nesta sexta-feira (18), que confia na inocência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na investigação sobre a suposta venda, no exterior, de joias pertencentes ao Estado brasileiro. Em entrevista exclusiva à Itatiaia, o parlamentar pediu uma “investigação justa” em torno do caso e ainda criticou o hacker Walter Delgatti, que acusou Bolsonaro de ser autor de um pedido para a invasão de urnas eletrônicas.

Nessa quinta-feira (17), horas após o depoimento de Delgatti à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Atos Antidemocráticos de 8 de janeiro, a Revista Veja revelou uma possível delação de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. Segundo a publicação, o coronel estaria disposto a dizer que negociou as joias por ordem do chefe.

Nesta sexta-feira, porém, o advogado de Cid, Cezar Bittencourt, afirmou que a confissão não está relacionada a esse caso.

Ao tratar do caso envolvendo Cid, Nikolas Ferreira afirmou que pode fazer “juízo de valor” sobre o tema, porque as apurações estão em curso.

“A gente tem, inclusive como mídia, de esperar que os fatos aconteçam. Estou atento — acredito que como todo o Brasil — esperando para ver no que todas essas investigações vão dar. Espero que sejam investigações justas. Infelizmente, a gente está vendo um aparelhamento gigantesco das instituições — e que tende sempre a um lado. Espero que dessa vez seja transparente e claro não só com Cid e Bolsonaro, mas com toda a população’, assinalou.

Para justificar a opinião, o deputado mineiro recorreu a declarações de Bolsonaro, que negou ter subtraído bens pertencentes à Presidência da República.

“O presidente Bolsonaro, ontem mesmo, deu uma declaração dizendo que não pediu e não recebeu nada de dinheiro. Confio na palavra do presidente Bolsonaro. É um homem que nunca, em sua vida pública, esteve em nenhuma lista de corrupção”, garantiu. “Então, basicamente, até que se prove algo concreto, não passa de fábula da mídia e, também, da oposição a Bolsonaro”, completou.

Depoimento de Delgatti

Nikolas Ferreira foi um dos congressistas que aproveitou a última sessão da CPMI para fazer perguntas a Delgatti. O hacker, que ganhou notoriedade após vazar diálogos ligados à Operação Lava-Jato, optou por não responder a questionamentos feitos por parlamentares de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Na visão de Nikolas, o silêncio de Delgatti na segunda parte do depoimento “falou muito mais” do que as respostas dadas na primeira etapa da oitiva, quando ele revelou o suposto plano de invasão às urnas.

“Falar, até papagaio fala. Ele tem de provar a respeito disso. Ele disse que Bolsonaro pediu a ele para que assumisse a responsabilidade de um grampo que teria sido feito em Alexandre de Moraes. Que provas ele tem disso? Inclusive, a própria Polícia Federal, ontem mesmo, disse que, por conta das inconsistências e contradições na fala dele, daria novo depoimento à PF hoje. Não há credibilidade nenhuma (no depoimento). É a palavra dele contra a do presidente Bolsonaro. O ônus da prova é de quem acusa. Ele precisa provar”, protestou.

Durante a sessão do comitê de inquérito, Nikolas chegou a afirmar que Delgatti está “a serviço da esquerda”. Nesta sexta-feira, ele reiterou a tese.

“Ele também deixou claro que sairia como deputado federal, se possível, por um partido de esquerda. Tem ligações com a Manuela d’Ávila, que faz parte do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), e afirmou que iria votar no Lula — e faria de tudo o possível para ajudá-lo. Ficou claro que aquele testemunho tem credibilidade zero”, completou.

A possibilidade de uma combinação entre Delgatti e forças à esquerda foi negada pelo advogado do hacker, Ariovaldo Moreira.

“Quem tem contato com o Walter sou eu. Posso garantir que não houve aliança com partidos de esquerda. Todos que me procuraram eu dei atenção, incluindo parlamentares de direita. Mas nada referente ao teor do depoimento prestado ontem”, assegurou.

Graduado em Jornalismo, é repórter de Política na Itatiaia. Antes, foi repórter especial do Estado de Minas e participante do podcast de Política do Portal Uai. Tem passagem, também, pelo Superesportes.

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