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'Estamos perdendo a luta contra a corrupção', afirma Deltan Dellagnol

Ex-procurador da Lava Jato criticou decisões de Lula e Bolsonaro em evento em BH

Dallagnol criticou decisões do STF durante evento em BH

O ex-procurador da operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, confirmou que pretende ser candidato a deputado federal nas próximas eleições pelo partido Podemos no estado do Paraná. Dallagnol esteve em BH em encontro com lideranças evangélicas. À Itatiaia, o ex-procurador explica os motivos pelos quais deverá oficializar a sua candidatura.

"Se fosse pensar em mim e na minha família, eu seguiria lá, mas chamei a minha esposa em razão da nossa visão do mundo cristão. Entendemos que se continuássemos lá, estaríamos deixando de fazer o melhor pra sociedade, que é contribuir pra uma mudança maior. O combate à corrupção está sendo minado pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Congresso Nacional e a gente não tem mais instrumentos sequer para buscar a Justiça e construir outros casos como a Lava Jato", afirmou.

Segundo Dallagnol, o combate à corrupção é o assunto principal da sua pré-candidatura.

"Onde as coisas precisam ser mudadas é no Congresso Nacional. Dei esse passo e vou colocar o meu nome à disposição da sociedade brasileira para fazer aquilo que sempre fiz na Lava Jato, que é combater a corrupção agora no Congresso Nacional, buscando estancar, encerrá-lo por onde escoa o dinheiro público que é o ralo da corrupção para que o dinheiro chegue em quem mais precisa na saúde, educação, segurança e outros serviços públicos essenciais", complementou.

Perguntado se a sua candidatura serviria de insumo para quem diz que a Lava Jato tinha um fim eleitoreiro, Dallagnol rebateu a hipótese.

"Esse argumento seria ridículo, porque quem saiu da Lava Jato foram dois agentes públicos e mais de 100 agentes públicos. Era melhor para mim continuar no Ministério Público. Estou saindo para ganhar menos, para ter menos liberdade de tempo, opções, não ter segurança, não ter estabilidade, não ter aposentadoria. Nunca tive qualquer ambição política e, se quisesse, se a gente tivesse um projeto de poder, não sairia agora. Sairia em 2018, no auge da Lava Jato quando tudo estava funcionando. Qualquer um de nós seria eleito para qualquer cargo com a maior facilidade do mundo", declarou.

Além disso, Deltan Dallagnol criticou a notificação feita pelo Tribunal de Contas da União, que cobra dele quase R$ 3 milhões relativos a gastos com passagens e diárias durante a Lava Jato.

"Esse é o preço de quem combate a corrupção no Brasil. Os corruptos poderosos que foram condenados vezes em duas, três instâncias estão tendo seus processos anulados, estão saindo com dinheiro no bolso, sem qualquer punição, como sempre aconteceu no Brasil. Todos os casos acabam em impunidade", disparou.

Na mesma linha, Dallagnol questiona também o Supremo Tribunal Federal por ter anulado as condenações do ex-presidente Lula.

"As anulações têm a marca das anulações que aconteceram nas últimas décadas. Ninguém nunca foi punido no Brasil por corrupção e é isso que querem que continue acontecendo. Vemos hoje o Supremo fazendo uma releitura da competência em Curitiba depois de seis, sete anos de processo, três condenações, duas condenações no outro processo contra o ex-presidente Lula em primeira e segunda instância, no caso do sítio. Três condenações do primeiro caso do caso do triplex. Depois, o Supremo fala que Sérgio Moro estava suspeito por decisões como a condição coercitiva dele ou não. Ele é suspeito porque deu a condução coercitiva do Lula. Mas, espera aí. 117 foram conduzidos consecutivamente antes do Lula. Por que no caso do Lula existe suspensão e não nos outros?", disse.

Sobre o governo Jair Bolsonaro, o ex-procurador falou em avanços, mas enfatizou que faltou o combate à corrupção.

"Teve avanços em várias áreas. No combate à corrupção, não avançou. Preciso reconhecer que o principal palco do combate à corrupção não é a Presidência, é o Congresso e o Supremo. É lá que temos enfrentado os maiores problemas. Ao mesmo tempo, o governo, no ano passado, soltou uma lista de 30 ou 40 prioridades e não tinha nada de combate à corrupção. Gostaria que o governo seguisse em frente com a pauta, sustentando essa pauta porque embasou, inclusive, a sua eleição", opinou.

Durante o encontro realizado no restaurante Coco Bambu, o ex-procurador do Ministério Público Federal debateu com os participantes o projeto “200+”, que pretende eleger deputados e senadores nas próximas eleições.

"Temos que parar de esperar que os problemas sejam solucionados de cima para baixo, que a solução caia no nosso colo. Por isso, a sociedade civil se uniu por meio de entidades suprapartidárias e articulou um projeto para serem colocados mais de 200 deputados e senadores no Congresso Nacional que atendam três requisitos básicos: combate à corrupção (fim do foro privilegiado), o fim do fundo eleitoral bilionário e a preparação política, para que os candidatos sejam preparados para enfrentar os desafios do país", concluiu.

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