Caso alternativa à RRF seja aceita, prazo para recuperação fiscal de MG pode ser adiado por, ao menos, 4 meses

Pedido será feito ao Supremo Tribunal Federal para que Congresso e Assembleia aprovem leis autorizando a federalização de estatais mineiras

Presidente da Assembleia, Tadeu Martins Leite (MDB), presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (PSD), ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira

Caso os governos federal e estadual entrem em acordo sobre a proposta alternativa ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF) apresentada pelo presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), o prazo para que Minas apresente uma solução para a dívida do estado com a União pode ser adiado por, pelo menos, quatro meses. O prazo dado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) termina no dia 20 de dezembro. Se até a data, a RRF não for aprovada ou não houver outro instrumento de renegociação da dívida de R$ 160 bilhões, Minas será obrigada a retomar o pagamento das parcelas que estão suspensas por decisão liminar do tribunal.

A suspensão, no mínimo até o mês de abril, seria para que o parlamento mineiro aprovasse legislação autorizando a federalização de estatais e o Congresso Nacional deliberasse sobre a aquisição dos ativos. O pedido de relaxamento do prazo precisará ser feito à Suprema Corte.

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Na próxima segunda-feira (20), técnicos do Senado, do Ministério da Fazenda e da Assembleia Legislativa vão se reunir para começar a escrever a proposta que será entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entre as tarefas está a mensuração dos créditos e dos ativos que podem ser usados no encontro de contas e na absorção de estatais. A princípio serão contabilizados créditos da Lei Kandir, indenizações relacionadas ao rompimento da barragem em Mariana, e as estatais Cemig, Copasa e Codemig. No caso da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais, a sugestão já vinha sendo feita pelo presidente do Sindicato dos Servidores da Tributação, Fiscalização e Arrecadação do Estado de Minas Gerais (Sinfazfisco), Hugo René de Souza. A princípio, bens como a Empresa Mineira de Comunicação (EMC), que abrange a Rede Minas e a rádio Inconfidência, não estão na lista.

Na próxima semana, o governador Romeu Zema (Novo) se encontrará com o presidente do Congresso Nacional, em Brasília, para discutir a proposta de Pacheco que prevê a renegociação sem privatizações e sem congelamento de salários de servidores. Para o senador, o Regime de Recuperação Fiscal apenas adia o pagamento e aumenta a dívida que, em oito anos, subirá para R$ 220 bilhões.

Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast “Abrindo o Jogo”, que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.

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