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Ré por extorsão, empresária de BH nega ter torturado corretora e detalha encontro

Em entrevista à Itatiaia, Cláudia Rodrigues acusa Mariana Roveda de ter aplicado golpe na intermediação de um aluguel; nove pessoas foram indiciadas por extorsão qualificada

A empresária Cláudia Rodrigues, ré por extorsão contra a suposta corretora Mariana Roveda Santana, de Belo Horizonte, negou ter agredido a mulher, que também é investigada por estelionato. Cláudia, junto com a empresária Camila Rodrigues e outras sete pessoas, respondem por extorsão qualificada após uma reunião em um condomínio de luxo em Vespasiano, na região metropolitana (relembre o caso no fim da matéria).

Em entrevista à Itatiaia, Cláudia afirma ter conhecido Mariana em fevereiro de 2023. Após ajudar a alugar um imóvel de Cláudia, a suposta corretora ganhou a confiança da empresária e, meses depois, entrou em contato afirmando que um policial federal queria alugar o imóvel temporariamente, tendo como fiadores outros dois agentes. A empresária concordou com o contrato de curta duração, mas, após o fim dos três meses, a corretora informou que o inquilino não poderia sair da casa ainda, pois não havia conseguido um outro imóvel.

Pouco depois, o inquilino teria entrado diretamente em contato com a empresária, que, neste momento, descobriu que teria sido vítima de um golpe. O inquilino não era um policial federal, mas, na verdade, um dono de loja de roupas. Além disso, o valor do aluguel pago por ele era apenas metade do que prometido pela corretora à empresária.

Reunião e acusação de tortura

Cláudia deu detalhes sobre a reunião com Mariana que gerou a acusação de tortura e o indiciamento por extorsão qualificada. A empresária afirma que o encontro foi marcado para que elas pudessem negociar o dinheiro devido pela corretora. Cláudia negou todas as acusações de tortura e agressão, inclusive cedendo vídeos que mostram a suposta corretora entrando e saindo do condomínio normalmente e também durante a reunião.

Eu não vi agressão contra ela e ela não saiu daqui com a cabeça raspada. Isso é mentira. As próprias imagens do condomínio mostram ela entrando e saindo. Inclusive na saída um segurança chega perto dela. Se ela estivesse sendo coagida, ela teria pedido ajuda. No dia seguinte ela me ligou para me agradecer. Ela só foi na delegacia 16 dias depois. Não faz sentido. Se eu tivesse sido torturada, ela teria ido na delegacia na hora ou pedido ajuda para o segurança’.

Emocionada, Cláudia relembra que o marido, um dos participantes da reunião, segue preso desde maio: ‘Meu marido continua preso porque ela alega que tinha uma arma apontada para a cabeça dela. Os nossos vídeos mostram que não tinha arma nenhuma. Se você perguntar à minha filha se algum dia ela viu algum revólver dentro dessa casa, ela vai te falar que não. Meu marido é inocente, ele não tem arma nenhuma. Minha filha está sofrendo muito por causa dessa situação, mas eu tenho fé em Deus que a justiça vai ser feita’.

Outro lado

A Itatiaia tentou contato com Mariana por meio dos telefones registrados no CNPJ dela e também da PH Imóveis, mas não teve resposta. Nos processos registrados no sistema eletrônico da Justiça mineira, Mariana aparece representada pela Defensoria Pública ou sem advogado definido. O espaço segue aberto.

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Empresárias são acusadas de tortura

As duas empresárias e outras sete pessoas foram presas no dia 6 de maio. Os nove são suspeitos de manter uma corretora de imóveis de 33 anos em cárcere privado em Vespasiano, na região metropolitana de Belo Horizonte. Segundo os suspeitos, a vítima teria aplicado um golpe contra eles. Segundo os acusados, ao alugar um imóvel de luxo para um cliente, a corretora dizia que era necessário o pagamento de um “caução”. Ela dizia que iria entregar o valor ao proprietário. Porém, quando o contrato era fechado, o proprietário pedia novamente pela quantia. Assim, eles teriam descoberto que haviam caído em um golpe. Segundo a Polícia Civil, ainda não se sabe se essas alegações são verdadeiras, o que será investigado.

No dia do crime, os suspeitos, supostamente irritados por terem caído no golpe, atraíram a corretora para uma casa em Vespasiano, no início de abril. A vítima alega que foi chamada para ir até uma casa em um condomínio de luxo por um homem que teria um outro imóvel para vender. Ao chegar lá, ela foi trancada na casa e ficou sob o poder dos suspeitos por cerca de sete horas. A corretora foi agredida e teve o cabelo raspado pelos suspeitos. Durante o sequestro, o grupo teria até mesmo exigido R$ 60 mil como resgate para soltar a vítima.

A Policia Civil concluiu o inquérito e indiciou todos os nove envolvidos no caso pelos crimes de extorsão qualificada. Camila, Cláudia e outros cinco suspeitos, incluindo uma prima das duas empresárias, foram beneficiadas com um alvará de soltura no dia 10 de maio, enquanto dois dos suspeitos seguem detidos.


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Jornalista formado pela UFMG, com passagens pela Rádio UFMG Educativa, R7/Record e Portal Inset/Banco Inter. Colecionador de discos de vinil, apaixonado por livros e muito curioso.
Cursou jornalismo no Unileste - Centro Universitário Católica do Leste de Minas Gerais. Em 2009, começou a estagiar na Rádio Itatiaia do Vale do Aço, fazendo a cobertura de cidades. Em 2012 se mudou para a Itatiaia Belo Horizonte. Na rádio de Minas, faz parte do time de cobertura policial - sua grande paixão - e integra a equipe do programa ‘Observatório Feminino’.
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