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Empresárias suspeitas de torturar corretora na Grande BH se tornam rés por extorsão

Camila Rodrigues, Cláudia Rodrigues e mais sete pessoas teriam agredido a vítima em condomínio de luxo em Vespasiano (MG); dois envolvidos no caso seguem detidos

Camila Rodrigues e Cláudia Rodrigues estão entre os alvos da investigação

A Justiça aceitou a denúncia contra nove suspeitos de manter uma corretora de imóveis em cárcere durante sete horas em uma casa em um condomínio de luxo em Vespasiano, na região metropolitana de Belo Horizonte, no início de maio. Entre os envolvidos, estão duas empresárias de Belo Horizonte com milhares de seguidores nas redes sociais: Camila Rodrigues e Cláudia Rodrigues (relembre o caso no fim da matéria).

A decisão obtida pela Itatiaia foi assinada no fim de maio pelo juiz Cristiano Araújo Simões Nunes, da Comarca de Vespasiano. Com isso, nove suspeitos passam a ser considerados réus por extorsão qualificada. São eles: Camila Rodrigues da Silva, Cláudia Bezerra de Lima Rodrigues, Paloma Stefane Rocha, Matheus Pessanha Stern de Souza, Thais Alves César Pedro, Micaella Lima Rodrigues, Rubens Paulo de Souza Barros e William Pedro, suposto membro da Organização Terrorista do Cafezal conhecido como ‘Alemão’.

Destes, apenas William e Rubens seguem presos. Em depoimento, a vítima acusou William de tê-la ameaçado e afirmou que Rubens era o líder do grupo e estaria armado.

Posicionamento

Em nota, a advogada Sabrine Melo, que representa Camila Rodrigues, afirma que a denúncia de extorsão apresentada pelo Ministério Público ‘não condiz com a verdade dos fatos'. Segundo a defesa, ‘Camila Rodrigues não tem qualquer relação com a suposta vítima e jamais participou ou praticou o crime a ela imputado. A defesa irá comprovar efetivamente a sua inocência, que é medida de direito que se impõe no presente caso'.

Devemos esclarecer que Camila Rodrigues, ao anoitecer, após a realização da reunião, compareceu ao local para realizar uma análise técnica do contrato imobiliário, uma vez que a suposta vítima é estelionatária contumaz e havia praticado uma fraude imobiliária contra os demais presentes no local. Ademais deve ser ressaltado que não houve denúncia do Ministério Público dos crimes de sequestro e cárcere privado.

Insta salientar ainda que a mídia noticiou equivocadamente que havia envolvimento de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, ocorre que tal fato é totalmente inverídico e nem sequer fora mencionado pelo Ministério Público.

A defesa esclarece que a Camila é uma empresária bem sucedida devido a sua árdua dedicação profissional na construção de sonhos de seus clientes, sendo que sua conduta é sempre pautada na legalidade e transparência’.

Já os advogados Fabiano Lopes e Ana Luiza França, que representam Cláudia Rodrigues, afirmam que a corretora de imóveis alvo da ação ‘não tem autorização para exercer a função e possui mais de 33 processos criminais por estelionato’. Os advogados protocolaram uma resposta à acusação com ‘imagens, testemunhas, perícias e gravações de circuinto interno de TV que, no momento oportuno, refutarão a denúncia apresentada pelo Ministério Público’.

‘Ressaltamos que a denúncia do Ministério Público se refere apenas ao crime de extorsão, sem envolvimento de sequestro ou tortura, e provaremos que este crime não ocorreu. Recomendamos que outras vítimas dessa pessoa procurem a delegacia para registrar boletins de ocorrência, pois ela criou essa situação para evitar pagar seus débitos. Tenho uma vida lícita. Somos empresários honestos, pagadores de impostos e confiamos que tudo vai se resolver’, conclui a nota.

A Itatiaia tenta contato com a defesa dos réus. O espaço segue aberto.

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As duas empresárias e outras sete pessoas foram presas no dia 6 de maio. Os nove são suspeitos de manter uma corretora de imóveis de 33 anos em cárcere privado em Vespasiano, na região metropolitana de Belo Horizonte. A vítima teria ficado cerca de sete horas sob o poder do grupo e ainda teve a cabeça raspada por eles.

Segundo os suspeitos, a vítima teria aplicado um golpe contra eles. Segundo os acusados, ao alugar um imóvel de luxo para um cliente, a corretora dizia que era necessário o pagamento de um “caução”. Ela dizia que iria entregar o valor ao proprietário. Porém, quando o contrato era fechado, o proprietário pedia novamente pela quantia. Assim, eles teriam descoberto que haviam caído em um golpe. Segundo a Polícia Civil, ainda não se sabe se essas alegações são verdadeiras, o que será investigado.

No dia do crime, os suspeitos, supostamente irritados por terem caído no golpe, atraíram a corretora para uma casa em Vespasiano, no início de abril. A vítima alega que foi chamada para ir até uma casa em um condomínio de luxo por um homem que teria um outro imóvel para vender. Ao chegar lá, ela foi trancada na casa e ficou sob o poder dos suspeitos por cerca de sete horas. A corretora foi agredida e teve o cabelo raspado pelos suspeitos. Durante o sequestro, o grupo teria até mesmo exigido R$ 60 mil como resgate para soltar a vítima.

A Policia Civil concluiu o inquérito e indiciou todos os nove envolvidos no caso pelos crimes de extorsão qualificada. Camila, Cláudia e outros cinco suspeitos, incluindo uma prima das duas empresárias, foram beneficiadas com um alvará de soltura no dia 10 de maio, enquanto dois dos suspeitos seguem detidos.


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Jornalista formado pela UFMG, com passagens pela Rádio UFMG Educativa, R7/Record e Portal Inset/Banco Inter. Colecionador de discos de vinil, apaixonado por livros e muito curioso.