Pelo menos 320 mil metros cúbicos de água e
Eles citam ainda que não é tecnicamente correto relacionar o extravasamento de estruturas desse tipo exclusivamente a eventos de chuvas intensas. Os danos aos cursos d’água são apurados pela
Segundo a engenheira civil com PhD em Geotecnia, Rafaela Baldi, e o diretor do Instituto Mineiro de Perícias, Eder Mascarenhas, a causa para os episódios recentes é a falta de manutenção. Eles ainda apontam que um extravasamento é um sintoma de fragilidade no sistema das estruturas, ainda que não configure, isoladamente, uma ruptura catastrófica.
“Embora chuvas intensas sejam frequentes, os sistemas de drenagem de barragens, diques, sumps, canais e bacias devem ser projetados e operados para suportar eventos extremos compatíveis com o risco da estrutura. Assim, um extravasamento indica, em geral, uma ou mais falhas associadas, ao subdimensionamento hidráulico do sistema, mudança de premissas sem reavaliação de projeto, falhas operacionais ou de manutenção e até gestão inadequada do nível d’água”, explicou a engenheira Rafaela.
Ainda de acordo com a especialista em geotecnia, projetos como esses devem, obrigatoriamente, considerar eventos hidrológicos extremos e indicam a existência de falha humana e técnica.
“A legislação, as normas técnicas e a boa prática de engenharia exigem que as estruturas disponham de capacidade hidráulica suficiente, incluindo sistemas de drenagem, vertedores adequados e freeboard compatível. Dessa forma, a ocorrência de extravasamento indica a existência de falha humana associada, seja em projeto, operação ou gestão. A chuva, nesses casos, atua como gatilho, e não como causa raiz do evento”, completou ela.
Destruição ambiental
Atualmente diretor do Instituto Mineiro de Perícias, Eder Mascarenhas explicou os possíveis impactos imediatos nos
Segundo o diretor, que já coordenou trabalhos sobre o rompimento das barragens na Mineração Rio Verde, em Macacos, na Grande BH, em 2001; na Indústria Cataguases de Papel, em 2003; e na barragem de rejeitos de bauxita da Rio Pomba Cataguases, que se rompeu em Miraí, em 2007, os sedimentos podem ser transportados rio abaixo e se depositarem no Rio Paraopeba, com a possibilidade de remobilização em cheias futuras.
“O aumento de turbidez e sedimentos piora a qualidade da água, com possível mortandade de peixes e dificuldades no abastecimento e no uso da água pela população. Os sedimentos podem ser transportados rio abaixo e se depositar em trechos mais lentos, como o Paraopeba”, explicou ele.
Do ponto de vista técnico, o perito citou ainda que, mesmo sem rejeitos industriais, "é essencial amostragem com cadeia de custódia; comparação com condições naturais (background); e análises físico-químicas e de sedimentos para confirmar a origem e o risco”.
Fotos: estragos em Congonhas após extravasamento na Mina de Viga, da Vale
O extravasamento na
As licenças de funcionamento das duas minas foram suspensas pela Prefeitura de Congonhas.
Por meio de nota, o Governo de Minas informou que a Vale foi autuada por causa dos impactos ambientais e por deixar de comunicar a ocorrência em até duas horas, contadas a partir do horário em que o acidente ocorreu.
“A Semad determinou que a Vale cumpra imediatamente uma série de medidas emergenciais, incluindo ações de limpeza do local afetado, assim como o monitoramento do curso d’água atingido. Também será solicitado à empresa um plano de recuperação ambiental para limpeza das margens, desassoreamento e demais medidas necessárias à recuperação do curso d’água afetado”, disse.
A Vale se posicionou com a nota abaixo:
“A Vale esclarece que os extravasamentos de água identificados em Congonhas e Ouro Preto no domingo (25) foram contidos. Ninguém ficou ferido e a população e as comunidades próximas não foram afetadas.
Nenhuma das duas situações tem qualquer relação com as barragens da Vale na região, que seguem sem alterações nas suas condições de estabilidade e segurança e são monitoradas 24 horas por dia, 7 dias por semana. A Vale esclarece, ainda, que não houve carreamento de rejeitos de mineração, apenas água com sedimentos (terra).
A Vale realiza periodicamente ações preventivas de inspeção e manutenção de suas estruturas, que são seguras. A empresa reforça esses procedimentos durante o intenso período chuvoso. As causas dos dois extravasamentos estão sendo apuradas e os aprendizados extraídos serão imediatamente incorporados aos planos de chuva da companhia. A Vale segue à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários.”