No próximo sábado (31), a
O evento, que esgotou as 100 vagas disponíveis em apenas 15 dias, reflete o crescimento do enoturismo na região. Idealizada pelo proprietário Alexandre Damasceno, e os irmãos sócios, em parceria com educadores físicos, a proposta foca no equilíbrio. “Não é sobre performance. É sobre caminhar no seu ritmo, respeitando os limites individuais”.
A programação começa na manhã do sábado, com café da manhã e aquecimento. O percurso intercala atividade física leve com paradas estratégicas para degustação de vinhos, onde os participantes conhecem as histórias e curiosidades da produção. O encerramento ocorre com um almoço de confraternização e música ao vivo.
O “Terroir do Sertão": tecnologia e premiações
O sucesso do evento acompanha a ascensão da Vale do Gongo no cenário nacional. Em 2024, o vinho Casa Velha (feito com a uva brasileira Vitória) conquistou a medalha Grande Ouro em Bento Gonçalves (RS). Já em 2025, o licoroso Lorena garantiu um ouro no concurso da Embrapa (1ª Seleção de Vinhos BRS Lorena) e
“Comprovamos o potencial do terroir do sertão mineiro”, contou Alexandre. “Somos uma das regiões vitícolas mais novas do mundo, o que desperta um interesse enorme dos enófilos por novidades”. Produzir vinhos em uma região de clima seco e quente desafiou as estatísticas. O segredo do sucesso, que começou com apenas 46 mudas de Merlot em 2017, reside na ciência:
- Fertirrigação: Método de adubação via irrigação para compensar a baixa pluviosidade.
- Manejo de Poda: Com apoio da Epamig e Unimontes, a vinícola consegue duas safras anuais (
dupla poda ), aproveitando o microclima local.
Além da boa produtividade, Alexandre e o irmão Gésio descobriram que as uvas plantadas por eles têm grande potencial para a maturação fenólica. As noites frias do microclima da região garantem o alto teor de açúcar das frutas, que amadurecem lentamente, fixando uma cor intensa, mas sem perder a acidez. Os estudos também mostraram que o clima seco da região ajuda a controlar os patógenos que atacam a videira.
O resultado é que a variedade francesa Merlot tem alcançado produtividade média de 4 quilos por planta, duas safras por ano e a elaboração de vinhos de vários estilos: dos espumantes aos vinhos licorosos, brancos, jovens e os chamados ‘tintos de guarda’, que podem envelhecer numa adega por até 20 anos.
O que começou como um projeto para consumo próprio em plena pandemia, hoje coloca Grão Mogol no mapa da vitivinicultura brasileira, provando que, com tecnologia e manejo correto, o solo norte-mineiro é capaz de produzir rótulos de excelência internacional.