A cultura da
A nova versão do documento inclui a avaliação dos municípios, até então com restrição de recebimento de financiamento público pelo ZAE Cana. Além disso, os pesquisadores da Embrapa utilizaram uma metodologia atualizada do cálculo de riscos, avaliando um número maior de classes de solo. A série temporal climática também foi atualizada, pegando o período entre 1992 e 2022.
O pesquisador da Embrapa Agricultura Digital Santiago Cuadra, um dos responsáveis pelo novo Zarc da cana, explicou que mesmo com a liberação dos municípios da Amazônia e Pantanal, as alterações foram pequenas.
“A análise de risco tem uma certa correlação com a análise de aptidão que foi feita no ZAE. Teve alteração, sobretudo nos municípios de transição entre Cerrado e Amazônia, mas não teve uma mudança expressiva regionalmente. A maior parte dos municípios da Amazônia seguem fora do Zarc por causa do excesso de chuva”, afirmou.
Cuadra também explicou que a cana-de-açúcar para produção de etanol e açúcar depende de um período de cerca de seis meses sem chuvas para realização da colheita, o que não ocorre na maior parte da Amazônia. As altas temperaturas no Pantanal também inviabilizam a cultura no bioma.
“Alguns municípios de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul que têm a maior parte do território fora do Pantanal foram incluídos, mas outros, com percentual maior no bioma, ficaram fora”.
Já o Zarc de cana para outros fins, que incluem produção de cachaça, melaço e forragem para alimentação animal, todas atividades ligadas à agricultura familiar, teve uma ampliação de abrangência, com restrição apenas no semiárido nordestino, pela escassez hídrica, e em alguns municípios mais altos de Santa Catarina e do sul de Minas Gerais. A cana-de-açúcar não é indicada para regiões com ocorrência frequente de geadas.
Concentração no Centro-Sul
A área ocupada pela cana-de-açúcar no Brasil variou entre 9,1 e 10,2 milhões de hectares nos últimos dez anos. A maior contração está nos estados da região Centro-Sul, com destaque para São Paulo, que concentra 50% das lavouras do país. Goiás, com 11%, e Minas Gerais, com 10%, são segundo e terceiro com maior área plantada com a cultura.
A nova versão do Zarc da cana-de-açúcar definiu as melhores regiões para cultivo, classificando em três níveis de risco de perdas: 20%, 30%, 40% e acima de 40%, quando não há a recomendação de plantio. A avaliação de risco levou em conta a capacidade de armazenamento de água do solo, o regime de chuvas no município e o ciclo da cultura.
A determinação do risco considerou a probabilidade de obtenção de produtividade superior a 65 toneladas por hectare, considerando um açúcar total recuperado (ATR) de referência de 135 kg por tonelada de colmo, a ocorrência de geada durante o ciclo e a probabilidade de ocorrência de escassez ou excesso de chuva.
Além das duas portarias atualizadas agora, há ainda o Zarc para cana-de-açúcar em áreas irrigadas. Estas portarias foram publicadas em 2022 e seguem válidas e atuais.
Zarc
O Zoneamento Agrícola de Risco Climático é uma das estratégias para mitigação de riscos na agricultura. Baseado em dados científicos, o Zarc traz a recomendação sobre a época de plantio de mais de 50 culturas, em diferentes sistemas produtivos no Brasil.
Além de orientar os produtores de forma a reduzir os riscos de perdas de produtividade, o Zarc se tornou um importante instrumento de gestão de risco climático para o setor financeiro e de seguro rural.
É usado em políticas públicas como o
O Zarc pode ser consultado pelo aplicativo Zarc Plantio Certo, disponível para download gratuito para