Do extravasamento à paralisação: incidentes da Vale acendem alerta em Ouro Preto e Congonhas

Episódios em cidades da Região Central de MG causaram impactos ambientais e colocaram operações da Vale sob apuração

Fotos: estragos em Congonhas após extravasamento na Mina de Viga, da Vale

Dois extravasamentos registrados em minas da Vale entre Congonhas e Ouro Preto, na Região Central de Minas Gerais, no domingo (25), causaram impactos ambientais, levaram à suspensão de alvarás municipais, à paralisação das atividades da mineradora e à promessa de autuação pelo Governo de Minas.

Segundo autoridades, não houve feridos nem rompimento de barragens. A empresa atribui os episódios ao volume de chuvas, enquanto os danos aos cursos d’água são apurados e a Agência Nacional de Mineração (ANM) investiga responsabilidades.

A reportagem da Itatiaia elaborou uma linha do tempo sobre os extravasamentos nos municípios de Ouro Preto e Congonhas, registrados no mesmo dia em que o rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, que matou 272 pessoas, completou sete anos.

Os extravasamentos

O primeiro caso ocorreu durante a madrugada de domingo (25), na mina de Fábrica, em Ouro Preto. O líquido atingiu dependências da CSN Mineração. Horas depois, um segundo extravasamento de água com sedimentos foi registrado na mina Viga, localizada entre as regiões da Plataforma e do Esmeril, em Congonhas. Não houve registro de feridos ou mortes.

Danos ambientais

De acordo com o prefeito de Congonhas, Anderson Cabido (PSB), o município sofreu impactos ambientais em decorrência dos extravasamentos. O Rio Goiabeiras foi atingido, e há a possibilidade de que o Rio Maranhão também seja afetado.

“Foram mais de 200 mil metros cúbicos de água que saíram lavando todo tipo de minério e materiais ao longo do caminho, alcançando o Rio Goiabeiras, com perspectiva de chegar ao Rio Maranhão”, afirmou.

Em vídeo publicado nas redes sociais, o secretário de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas de Congonhas, João Luís Lobo, classificou a demora da Vale em comunicar as ocorrências como “omissão”.

“Sete anos após o rompimento em Brumadinho, a Vale omitiu informações muito importantes. Para agirmos de forma rápida, a informação precisa chegar rápido, o que não aconteceu por duas vezes no mesmo dia”, disse.

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Justificativa da empresa

Em entrevista à Itatiaia, o vice-presidente executivo técnico da Vale, Rafael Bittar, afirmou que os extravasamentos ocorreram em razão do volume de chuvas registrado na Região Central do estado. Segundo ele, as causas seguem em apuração, mas a população não corre riscos.

“É importante frisar que não houve transporte de rejeito de mineração em nenhuma das duas ocorrências. Todas as estruturas estão estáveis, sem qualquer anomalia ou alteração no nível de emergência. Todas possuem plano de atendimento e emergência, discutido com as autoridades. As pessoas estão seguras”, afirmou.

Autuação do Governo de Minas

O Governo de Minas Gerais informou que irá autuar a Vale por danos ambientais e pela demora na comunicação dos extravasamentos registrados em duas minas entre Congonhas e Ouro Preto. A decisão foi divulgada nesta segunda-feira (26), um dia após os episódios.

As autuações têm como base os artigos 112 e 116 do Decreto nº 47.383/2018, que estabelece normas de licenciamento ambiental e classifica infrações às regras de proteção ao meio ambiente. Segundo o governo estadual, foram identificados danos ambientais decorrentes do carreamento de sedimentos e do assoreamento de cursos d’água afluentes do Rio Maranhão.

Suspensão dos alvarás

A Prefeitura de Congonhas anunciou, na tarde desta segunda-feira (26), a suspensão provisória dos alvarás de funcionamento das minas da Vale no município. A decisão foi oficializada por meio do ofício nº PMC/GAB/21/2026, assinado pelo prefeito Anderson Costa Cabido (PSB).

No documento, a prefeitura afirma que, “diante da materialização do risco”, a continuidade das atividades nas condições verificadas é incompatível com os princípios da precaução e da prevenção, determinando a suspensão imediata dos alvarás até que sejam comprovadas medidas para eliminar ou controlar os riscos identificados.

Atividades paralisadas

Após a notificação do município, a Vale suspendeu as operações nas unidades de Fábrica e Viga, localizadas em Ouro Preto e Congonhas.

Em nota, a mineradora informou que adotou “medidas emergenciais de controle, monitoramento e mitigação ambiental” após os incidentes. A empresa reiterou ainda que suas barragens na região seguem com condições de estabilidade e segurança inalteradas, sendo monitoradas 24 horas por dia, sete dias por semana.

A Vale afirmou que colabora com as autoridades competentes, prestando os esclarecimentos necessários, e destacou que seus guidances permanecem inalterados, conforme divulgado no Formulário de Referência.

ANM busca responsáveis

Em nota, a Agência Nacional de Mineração (ANM) informou que as ocorrências registradas em áreas operacionais da Vale, no Complexo Mina de Fábrica e na mina Viga, não envolveram ruptura, colapso ou comprometimento de barragens ou pilhas de mineração.

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Segundo a ANM, no Complexo Mina de Fábrica o evento esteve associado a uma infraestrutura instalada na área da operação, sem falha estrutural. Já na mina Viga, foi registrado um extravasamento de água em um sump, estrutura utilizada para drenagem.

A agência informou que equipes de fiscalização estão nos locais e que não houve bloqueio de vias nem atingimento de comunidades. As situações seguem sob acompanhamento técnico, e a apuração de responsabilidades poderá resultar em sanções, caso sejam constatadas irregularidades, conforme a legislação vigente.

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Formada, há 13 anos, em jornalismo, pela Faculdade Pitágoras BH. Pós-graduada em jornalismo digital e produção multimídia.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
Kátia Pereira é jornalista formada pelo Uni-BH e tem especialização em História e Cultura Política pela UFMG. Está na Itatiaia desde 2002. Desde 2005 é titular do Jornal da Itatiaia 1ª Edição. Também apresenta o Jornal da Itatiaia Tarde, é editora e apresentadora do Palavra Aberta e apresenta conteúdo no canal da Itatiaia no Youtube. Recebeu o Troféu Mulher Imprensa na categoria Âncora de Rádio. Tem passagens por Record TV Minas, Super Notícias/O Tempo e assessoria na Assembleia Legislativa
Jornalista formado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH) e pós-graduado em Jornalismo nos Ambientes Digitais pela mesma instituição. Possui experiência como repórter, produtor e coordenador de telejornal.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o ‘Tá Sabendo’ no Instagram da Itatiaia.
Jornalista formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na Itatiaia, escreve para Cidades, Brasil e Mundo.

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