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Fabiana Justus passará por transplante de medula óssea; saiba detalhes do procedimento

Médica da Oncoclínicas explica quem pode doar medula óssea, chances de cura e como funciona o procedimento

Fabiana Justus, de 37 anos, informou nesta quarta-feira (27) que passará por um transplante de medula óssea em breve. A influenciadora, que é filha do apresentador Roberto Justus, possui leucemia mieloide aguda e conseguiu um doador 100% compatível, que ela ainda não conhece e chama de “gêmeo de medula.”

A hematalogista Mariana Chalup, do Cancer Center Oncoclínicas, em Belo Horizonte, destaca que nem todas as pessoas podem ser doadoras de medula óssea.

“Existem alguns critérios baseados no estado de saúde do possível doador. Primeiro, ele vai passar por uma avaliação de saúde. Então doenças graves podem ser uma contra indicação e o histórico também, se ele teve algum tipo de câncer, seja do tumor sólido ou algum câncer hematológico.”
Mariana Chalup, hematalogista do Cancer Center Oncoclínicas

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Em caso de doadores que não possuem relação com o paciente, ele deve realizar um cadastro no Redome - Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea. O limite de idade é de até 35 anos. A médica explica que o efeito do transplante, a partir da doação de pessoas mais jovens, é melhor.

Porém, caso a doação seja feita entre parentes, geralmente para um irmão, pai, mãe e filho, o limite de idade costuma ser em torno de 65 anos.

Do doador ao paciente

A hematalogista esclarece que algumas etapas devem ser seguidas após a compatibilidade da medula doada com o paciente que necessita do transplante.

“A primeira etapa é a compatibilização do HLA, que é a avaliação genética que é necessária para a realização do transplante. Uma vez realizada essa compatibilização, esse doador vai realizar uma avaliação clínica, com alguns exames de sangue, às vezes alguns exames de imagem também, para uma avaliação global da saúde dele naquele momento”, inicia.

Depois, em um segundo momento, ocorre a programação da coleta de células-tronco, que pode ser realizada de duas formas:

“Através da coleta da medula óssea, propriamente dita, que é um procedimento realizado em bloco cirúrgico. O doador sob sedação, de forma a minimizar qualquer tipo de desconforto, passará por uma punção com uma agulha específica na crista ilíaca, que essa região lateral do quadril, e a gente vai retirar uma parte do sangue da medula óssea”, esclarece.

Algumas semanas após a coleta, esse sangue será restituído para que essa medula fique completamente restabelecida “não havendo nenhum tipo de prejuízo para a saúde do doador”.

A segunda forma de doação é a coleta de células-tronco periféricas. “Nesse caso, o doador vai receber um estimulante pra liberar a células-tronco da medula óssea na corrente sanguínea. E, através de uma punção venosa simples, geralmente na região do braço, esse sangue será coletado e passará pela máquina de aférese, que parece uma máquina de hemodiálise, que vai filtrar esse sangue, mas, no caso, ela vai coletar as células-troncos que serão armazenadas em uma bolsinha de transfusão de sangue”, detalha.

Conforme a hematologista, com o paciente já internado no hospital, “essas células coletadas serão infundidas, tanto as células-tronco periféricas quanto as células-tronco da medula óssea”. Isso depende da doença do paciente.

Chalup destaca que “as duas formas de coleta são muito seguras.”

Transplante de medula óssea

Mariana Chalup explica como funciona o transplante de medula óssea.

“Diferente de outros órgãos sólidos, a gente está diante de um caso em que o órgão que a gente precisa substituir é um órgão líquido, ele é um sangue que está presente dentro dos ossos, então não é possível, como no caso de órgão sólidos, a gente fazer uma cirurgia para retirada desse tecido que é um tecido líquido.”
Mariana Chalup, hematalogista do Cancer Center Oncoclínicas

Segundo a médica, “a substituição desse tecido ocorre através da destruição da medula óssea doente do paciente com quimioterápicos e a substituição dessa medula através da transfusão das células-tronco desse doador. Então o paciente vai ser internado no hospital, ele vai receber uma quimioterapia em doses altas capazes de destruir por completo a sua medula óssea. Por isso, ele fica com a imunidade muito baixa, por isso ele tem os efeitos, que a gente já conhece da quimioterapia, náuseas, o cabelo pode cair...”.

Chalup completa: “A gente vai fazer com que essa medula do paciente volte a funcionar com a medula do doador. Ele doando a medula, seja da própria medula ou das células tronco periféricas, ela vai encontrar no corpo do paciente um espaço propício pra crescer, desenvolver, amadurecer e voltar a produzir os componentes do sangue que ele precisa”.

A nova medula óssea é recebida pelo paciente como se fosse uma transfusão de sangue.

“Ele recebe através de um cateter, que nada mais é do que um acesso venoso, mais calibroso, e essas células sanguíneas do doador vão ficar então circulando por um período no corpo desse paciente até que elas consigam encontrar o local restrito da medula óssea, da produção de células sanguíneas, elas vão amadurecer e voltar a produzir os componentes do sangue.”
Mariana Chalup, hematalogista do Cancer Center Oncoclínicas

É neste momento, conforme a médica, que ocorre “a famosa pega da medula”. A hematologista esclarece que “ela é um marcador do momento que é percebido que o corpo do paciente está conseguindo produzir novamente as células do sangue”. Essa constatação é feita após um exame de hemograma, que é feito diariamente nos pacientes transplantados.

Chances de cura

A hematologista pontua que a doença pode ser dividida em leucemia mieloide aguda, leucemia mieloide crônica, leucemia linfoblástica aguda e leucemia linfocítica aguda, que são caracterizadas de acordo com o tipo de célula que está acometida nessa doença.

“Dentro de cada um desses grupos, a gente vai ter alguns graus que vão conferir um risco maior dessa doença de acordo com algumas características moleculares e genéticas”, esclarece.

No caso de leucemia mieloide aguda, que é o caso de Fabiana Justus, as chances de cura podem variar entre 60% e 70%. Outros grupos de risco podem ter em torno de 20% a 30% de chance.

"É baseado nesses achados moleculares e genéticos que a gente, inclusive, vai indicar ou não a realização de um transplante de medula óssea. Então nem todo paciente com leucemia precisa de um transplante de medula”, destaca.

“Os pacientes com leucemias crônicas, tanto mieloide quanto linfoide, hoje em dia, são raramente submetidos a transplantes. Porque hoje a gente já tem tratamentos bons para essas doenças, não são tratamentos curativos, mas são tratamentos que conseguem controlar a doença a ponto do paciente muitas vezes ter uma vida próxima da vida normal”,

Porém, em caso de leucemias agudas, “a gente já costuma ter uma indicação mais frequente da realização de transplante”.

Pós-transplante

O tempo de recuperação depende das várias fases do transplante. “Geralmente, a medula óssea recupera a produção do novo enxerto em torno de 15 a 20 dias após a infusão, dependendo de várias questões, como idade do paciente, do doador e do tipo de transplante”, esclarece a médica.

Após esse período, “o paciente estando com as infecções controladas pode ter alta do hospital, mas ainda por pelo menos 100 dias pós-transplante, ele vai precisar de um acompanhamento rigoroso com consultas semanais no mínimo.”

“Depois desses 100 dias, a gente vai reduzindo os imunossupressores, o paciente vai voltando a receber algumas vacinas, as medicações vão sendo diminuídas e essas consultas vão sendo mais espaçadas. Porém, o tempo de recuperação é muito variável, tem paciente que mesmo anos depois do transplante ainda precisa de alguns cuidados, ainda precisa de medicações e de um acompanhamento mais rigoroso”, finaliza.

Descoberta

No dia 25 de janeiro deste ano, Fabiana revelou ter sido diagnosticada com leucemia mieloide aguda e falou sobre a descoberta em vídeo postado nas redes sociais.

“Fui diagnosticada com leucemia mieloide aguda. O nome assusta, tudo assusta, mas estou nas mãos de um super médico, sendo muito bem assistida e as coisas foram muito rápidas, até pela característica da doença e a forma que tem que ser o tratamento”, contou.

À época, a influenciadora explicou como descobriu a doença. “Vim para o pronto socorro com uma dor esquisita nas costas e febre e desde então não saí mais daqui. Já internei, fiz o exame para ver o que era, coloquei o cateter e já comecei a quimioterapia”, detalhou.

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Patrícia Marques é jornalista e especialista em publicidade e marketing. Já atuou com cobertura de reality shows no ‘NaTelinha’ e na agência de notícias da Associação Mineira de Rádio e Televisão (Amirt). Atualmente, cobre a editoria de entretenimento na Itatiaia.
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