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Proteína animal e vegetal: como escolher boas fontes para alimentação

Carnes, ovos e laticínios oferecem proteínas de alta qualidade, mas leguminosas, soja, sementes e oleaginosas também podem atender às necessidades do organismo

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Feijão, lentilha, soja, carnes, ovos e peixes estão entre as diversas fontes de proteína que podem fazer parte da alimentação.
Feijão, lentilha, soja, carnes, ovos e peixes estão entre as diversas fontes de proteína que podem fazer parte da alimentação. • Magnific

Proteína animal ou vegetal? A resposta não precisa estar ligada a uma disputa entre os dois tipos de alimentação. Carnes, peixes, ovos e laticínios são fontes importantes de proteína, mas alimentos de origem vegetal também podem fazer parte de uma alimentação nutricionalmente adequada.

A principal diferença está no perfil de aminoácidos, na digestibilidade e nos demais nutrientes que acompanham cada alimento. Por isso, mais importante do que escolher um único grupo é observar a variedade e a qualidade da alimentação como um todo.

E há uma correção importante em relação à ideia de que os seres humanos seriam naturalmente carnívoros. A espécie humana é onívora, o que significa que consegue obter nutrientes de alimentos de origem animal e vegetal. Ao longo da história, diferentes populações desenvolveram padrões alimentares bastante variados.

O que são os aminoácidos

As proteínas são formadas por aminoácidos. O organismo consegue produzir alguns deles, enquanto outros precisam necessariamente ser obtidos pela alimentação. São os chamados aminoácidos essenciais.

Carnes, peixes, ovos, leite e derivados geralmente apresentam todos os aminoácidos essenciais em proporções adequadas e têm boa digestibilidade. Por isso, são frequentemente classificados como proteínas de alta qualidade.

Isso não significa, porém, que os alimentos vegetais não forneçam aminoácidos essenciais. Feijão, lentilha, grão-de-bico, soja, ervilha, quinoa, sementes e oleaginosas são fontes de proteína que podem contribuir significativamente para as necessidades diárias.

A diferença é que algumas proteínas vegetais apresentam menores quantidades de determinados aminoácidos essenciais ou menor digestibilidade. A soja, por exemplo, apresenta um perfil proteico particularmente favorável entre os alimentos vegetais.

Proteína vegetal precisa ser combinada?

Existe uma antiga ideia de que uma pessoa vegetariana ou vegana precisa combinar arroz e feijão em todas as refeições para obter uma “proteína completa”.

A combinação é excelente do ponto de vista nutricional, mas não é necessário fazer essa complementação no mesmo prato ou em todas as refeições. O organismo utiliza os aminoácidos provenientes de diferentes alimentos consumidos ao longo do dia. O mais importante é manter variedade de fontes proteicas.

Feijão, lentilha e grão-de-bico podem aparecer nas refeições principais. Tofu, tempeh e outros alimentos à base de soja também são opções. Sementes de abóbora, chia, linhaça e oleaginosas podem complementar saladas, frutas, mingaus e outras preparações.

Uma revisão publicada em 2025 avaliou estudos sobre proteína vegetal e animal e encontrou uma pequena vantagem das proteínas animais para massa muscular. No entanto, não houve diferença significativa entre os dois grupos em força muscular ou desempenho físico. Quando a comparação foi feita especificamente entre soja e proteína do leite, não houve diferença significativa na massa muscular.

Isso mostra que a origem da proteína é apenas uma parte da equação. Quantidade total consumida, distribuição ao longo do dia, atividade física, idade e estado de saúde também importam.

E as gorduras?

Outro ponto importante é que o alimento proteico não é composto apenas de proteína. Algumas carnes e outros produtos de origem animal podem apresentar quantidades elevadas de gordura saturada, especialmente dependendo do corte e do grau de processamento. Por outro lado, peixes podem fornecer gorduras insaturadas, incluindo os ácidos graxos ômega-3.

Nas fontes vegetais, as proteínas geralmente aparecem acompanhadas de fibras, gorduras insaturadas, vitaminas, minerais e outros compostos bioativos. Leguminosas, por exemplo, fornecem proteína e fibras ao mesmo tempo. Por isso, comparar simplesmente “proteína animal contra proteína vegetal” pode esconder diferenças importantes entre os próprios alimentos.

Uma porção de peixe, um ovo, um iogurte natural, uma salsicha e uma carne ultraprocessada não têm o mesmo perfil nutricional, assim como tofu, lentilha, castanha e um hambúrguer vegetal industrializado também não são equivalentes.

Quem não come carne consegue consumir proteína suficiente?

Sim. Uma alimentação vegetariana ou vegana bem planejada pode fornecer proteína suficiente para adultos saudáveis. A Academy of Nutrition and Dietetics, em seu posicionamento publicado em 2025, considera que padrões vegetarianos e veganos adequadamente planejados podem ser nutricionalmente adequados e oferecer benefícios à saúde no longo prazo.

Isso não significa que basta retirar a carne do prato. É necessário substituí-la nutricionalmente por outros alimentos e prestar atenção a nutrientes que podem exigir maior planejamento, especialmente em dietas veganas.

Além da proteína, merecem atenção nutrientes como vitamina B12, ferro, zinco, iodo, cálcio e vitamina D, dependendo do padrão alimentar e das necessidades individuais. A vitamina B12 é particularmente importante: alimentos vegetais não são fontes naturais confiáveis desse nutriente, a menos que sejam fortificados.

E as dietas paleolítica e cetogênica?

Dietas paleolíticas e cetogênicas são padrões alimentares específicos e não servem como argumento para afirmar que a proteína animal é obrigatoriamente superior.

A dieta cetogênica, por exemplo, restringe fortemente carboidratos e aumenta proporcionalmente a participação de gorduras, podendo incluir diferentes fontes de proteína. Já a dieta paleolítica procura reproduzir, de maneira adaptada, determinados padrões alimentares atribuídos ao período pré-histórico.

Nenhuma delas é necessária para que uma pessoa alcance uma ingestão adequada de proteína. A escolha alimentar pode envolver saúde, cultura, preferência, questões ambientais, ética, orçamento e disponibilidade dos alimentos. O importante é que o padrão adotado seja nutricionalmente adequado e sustentável para quem o segue.

Afinal, qual proteína escolher?

Não existe uma única resposta válida para todo mundo. Quem consome alimentos de origem animal pode variar entre carnes magras, peixes, ovos e laticínios, priorizando alimentos pouco processados. Quem prefere uma alimentação predominantemente vegetal pode utilizar feijão, lentilha, grão-de-bico, soja, tofu, ervilha, sementes e oleaginosas.

Uma alimentação equilibrada também pode combinar as duas estratégias. Mais do que escolher um “vencedor” entre proteína animal e vegetal, o objetivo deve ser construir um prato variado, com quantidade adequada de proteína e presença de frutas, verduras, legumes, cereais integrais e outras fontes de nutrientes.

Para pessoas com necessidades específicas — como atletas, idosos, gestantes ou indivíduos com determinadas condições de saúde — a quantidade e a distribuição da proteína podem exigir planejamento individualizado. Nesses casos, nutricionista ou médico pode ajudar a definir a estratégia mais adequada.

No fim, a melhor fonte de proteína é aquela que cabe na alimentação, nas necessidades nutricionais e nas escolhas de cada pessoa.

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Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.

 

 

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