Saiba como Flávio Dino usou inquérito sobre 'Dark Horse' para reconduzir Andrei à chefia da PF
Ministro do STF submeteu a decisão ao plenário do STF e encaminhou o caso também ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), utilizou o inquérito sobre o caso 'Dark Horse' para reconduzir Andrei Rodrigues e Leandro Almada aos seus respectivos comandos na Polícia Federal (PF), em Brasília, segundo informações do blog de Isabel Mega, da CNN Brasil. A decisão reverte um afastamento determinado na terça-feira (8) pelo ministro André Mendonça e visa assegurar a continuidade das investigações.
A petição que solicitava a suspensão do afastamento foi formulada pelo próprio Andrei Rodrigues e apresentada no âmbito da investigação que está sob relatoria de Dino no STF. A corporação alegou que, com a decisão de Mendonça, que também afastou o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada, a PF não conseguiria cumprir as diligências necessárias no inquérito. Dino decidiu, então, reintegrar a equipe até que todas as medidas fossem cumpridas.
No despacho, o ministro Dino determinou o restabelecimento integral das atribuições funcionais de Andrei e Almada, argumentando que a interrupção dos trabalhos de direção de investigações policiais interessaria, sobretudo, aos próprios investigados. Houve sugestões, como a de Dino de que Mendonça 'decidiu em causa própria', ao tomar a decisão de afastar os diretores.
"Esta determinação ficará vigente até o integral cumprimento, pela Polícia Federal, das medidas determinadas por esta Relatoria, em autos a mim distribuídos, sem interrupção decorrente de interferência externa", afirmou o ministro.
Dino submeteu a decisão ao plenário do STF e encaminhou o caso também ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Já havia uma expectativa na Corte de que o caso pudesse ser avaliado pelo pleno após o recurso apresentado pela Advocacia-Geral da União (AGU) ao presidente do STF, ministro Edson Fachin. Após o recurso, Fachin tinha dado o prazo de 72 horas para que o ministro André Mendonça se manifestasse. Só então, o presidente da Corte daria os próximos passos no embate que escalou ainda mais a crise institucional do STF.
O financiamento do filme “Dark Horse”, que homenageia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), é alvo de investigações distintas da Polícia Federal, autorizadas tanto por Dino quanto por Mendonça, e com focos também diferentes. É importante entender que Mendonça é relator dos casos 'Dark Horse', Master e INSS, o que adiciona complexidade ao cenário.
Dino já era relator de ações na Corte que apuram possíveis irregularidades na destinação de emendas parlamentares. Foi nesse contexto que surgiu a suspeita de que parlamentares possam ter usado o dinheiro de emendas para financiar o filme por meio da produtora Go Up Entertainment. Essa frente de apuração foi instaurada no dia 26 de junho pela PF e autorizada em maio por Dino.
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