Projetos contra penduricalhos e supersalários ficam paralisados no Congresso

Medidas efetivas para acabar com benefícios não previstos em lei se arrastam por anos na Câmara e no Senado

Investigação que levou à operação “Alto Escalão 2” começou em junho de 2023

As proibições aos chamados ‘penduricalhos’ e supersalários pagos a servidores públicos são o foco de dezenas de projetos apresentados no Congresso Nacional. A maioria delas está completamente paralisada no parlamento.

Propostas de partidos de direita e de esquerda, de deputados do PSOL ao Novo, miram o fim de benefícios considerados abusivos para servidores e autoridades em vários poderes. No entanto, essas propostas enfrentam resistência e não avançam na Câmara dos Deputados ou no Senado Federal.

A pauta dos supersalários voltou ao debate público depois de uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou um prazo de 60 dias para que os Três Poderes avaliem o pagamento de verbas indenizatórias não previstas em lei.

A determinação de Dino foi assinada depois que o Congresso aprovou, a toque de caixa, o reajuste para servidores legislativos com a possibilidade de ganhos acima do teto constitucional – atualmente de R$ 46.366,19.

Os chamados “penduricalhos” — verbas adicionais que elevam salários acima do teto constitucional — custaram ao menos R$ 20 bilhões ao Brasil entre agosto de 2024 e julho de 2025.

Os projetos foram aprovados na terça-feira (3), na Câmara e no Senado, de forma simbólica, após acordo entre líderes. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia vetar o trecho sobre a criação de licença compensatória que abre espaço para os ganhos extrateto.

A discussão sobre limitar ganhos fora do limite constitucional se arrasta no Congresso há anos. A lista com dez propostas sobre o tema inclui a própria reforma administrativa, o chamado “PL dos supersalários”, de 2016, e um conjunto de projetos semelhantes que tramitam juntos (apensados, no jargão legislativo).

Em comum, as matérias atacam as chamadas verbas indenizatórias, auxílios e outras vantagens que não estão previstas em lei nacional e não entram no cálculo do teto.

O “PL dos supersalários”, assinado pelo ex-presidnete da Câmara, deputado Artur Lira (PP-AL), foi o que mais avançou. O projeto foi apresentado há quase uma década e foi aprovado pelos plenários do Senado e da Câmara.

Por ter sofrido mudanças durante a análise dos deputados, a proposta voltou para o Senado e desde novembro de 2023 está parada. O texto estabelece, no entanto, algumas exceções e abre espaço para a continuidade dos benefícios acima do limite.

Outros projetos em análise no Congresso foram apresentados pelas bancadas do PT, PSOL e Novo. Chamada de “Anti-Privilégios”, uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do deputado Kim Kataguiri (União-SP) também mira verbas indenizatórias a servidores.

As iniciativas mais recentes são uma proposta da deputada Tabata Amaral (PSB-SP) e a própria reforma administrativa articulada pelo deputado Pedro Paulo (PSD-RJ).

(Com Agência CNN)

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