Dino determina suspensão do pagamento de penduricalhos no serviço público

Decisão liminar dá 60 dias para órgãos dos Três Poderes revisarem benefícios sem base legal usados para elevar salários acima do teto constitucional

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (5) a suspensão do pagamento dos chamados “penduricalhos” no serviço público nos Três Poderes da República que não tenham uma lei específica sobre eles.

A decisão, concedida em caráter liminar, ou seja, provisória, ainda precisará ser analisada pelo plenário do STF, que poderá manter ou derrubar a medida.

No contexto jurídico e do funcionalismo público brasileiro, “penduricalhos” são verbas indenizatórias, gratificações e benefícios adicionais pagos aos servidores além do salário-base. Esses valores podem elevar a remuneração final acima do teto constitucional, resultando nos chamados “supersalários”.

Na decisão, Dino ordena que órgãos do Executivo, Legislativo e Judiciário revisem, em até 60 dias, verbas adicionais pagas a servidores e suspendam benefícios remuneratórios ou indenizatórios que “não tenham previsão legal”.

O ministro ainda estabelece que enquanto o Congresso Nacional não legislar sobre o tema o pagamento desses penduricalhos deve ser suspenso.

“Aquelas verbas que não foram expressamente previstas em lei — votada no Congresso Nacional ou nas Assembleias Legislativas ou nas Câmaras Municipais — devem ser imediatamente suspensas após o prazo fixado”, escreveu Dino.

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O ministro afirmou ainda que a medida busca impedir distorções e promover maior justiça remuneratória dentro do serviço público.

“Por este caminho, certamente será mais eficaz e rápido o fim do império dos penduricalhos, com efetiva justiça remuneratória, tão necessária para a valorização dos servidores públicos e para a eficiência e dignidade do Serviço Público”, completou.

Com a decisão do ministro, apenas verbas indenizatórias expressamente previstas em lei poderão ser pagas fora do teto salarial estabelecido pela Constituição — atualmente fixado em R$ 46.366,19.

Congresso Nacional

A medida ocorre dois dias após o Congresso Nacional aprovar reajustes e mudanças nas carreiras de servidores do Legislativo. O projeto abre caminho para remunerações que podem ultrapassar o teto constitucional do funcionalismo público.

As propostas reestruturam gratificações e criam mecanismos que permitem o pagamento de valores extras, como a chamada “licença compensatória”, considerada um tipo de “penduricalho”.

Para entrar em vigor, os textos ainda precisam ser sancionados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O benefício extrateto será concedido a servidores que acumularem “múltiplas atribuições”, exigindo “dedicação contínua” e atuação fora do horário regular. A cada três dias trabalhados, o funcionário poderá optar por uma folga ou pelo recebimento de indenização financeira.

Os valores pagos não serão incorporados à remuneração para fins previdenciários e também não estarão sujeitos à incidência do Imposto de Renda.

Repórter de política em Brasília, com foco na cobertura dos Três Poderes. É formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB) e atuou por três anos na CNN Brasil, onde integrou a equipe de cobertura política na capital federal. Foi finalista do Prêmio de Jornalismo da Confederação Nacional do Transporte (CNT) em 2023.

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