Por unanimidade, STF condena mandantes do assassinato de Marielle Franco

Caso foi julgado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal após quase oito anos do crime

A vereadora carioca Marielle Franco, assassinada em março de 2018

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou nesta quarta-feira (25), por unanimidade, os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão – conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) e ex-deputado federal, respectivamente – por ordenar o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, mortos a tiros em 14 de março de 2018.

Os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino seguiram o entendimento do relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, que concordou parcialmente com a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República. Para a Corte, ficou comprovado a motivação política do crime, já que Marielle teria ameaçado a influência dos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão em áreas controladas por milícias.

Com isso, os ministros votaram pela condenação de Domingos Brazão, Chiquinho Brazão e Ronald Paulo Alves, ex-policial militar que teria monitorado a rotina da vereadora, pelos crimes de duplo homicídio qualificado, organização criminosa armada e tentativa de homicídio qualificado contra Fernanda Chaves, assessora de Marielle e única sobrevivente do caso.

Em relação a Robson Calixto, conhecido como “Peixe”, ex-assessor do TCE-RJ e suspeito de intermediar contatos com milicianos, a Primeira Turma decidiu pela condenação por organização criminosa armada.

Já quanto a Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, os ministros decidiram pela absolvição em relação aos crimes contra a vida pois considerou haver “dúvida razoável” da participação dele nesses delitos e apontou que o delegado foi contratado para acobertar as mortes e garantir a impunidade.

Entretanto, Moraes propôs uma adequação jurídica da denúncia da PGR e votou pela condenação por corrupção passiva e obstrução de justiça, entendimento seguido pelos demais ministros.

Agora, será proposta uma pena para cada um dos cinco réus, que deve considerar o grau de participação individualmente, a chamada dosimetria. Ainda cabe recurso da decisão.

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Repórter de política em Brasília. Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), chegou na capital federal em 2021. Antes, foi editor-assistente no Poder360 e jornalista freelancer com passagem pela Agência Pública, portal UOL e o site Congresso em Foco.

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