O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a comentar neste sábado (7) sobre a pressão dos Estados Unidos aos países da América Latina e exaltou a relação do Brasil com a China.
Em discurso no encerramento das comemorações do aniversário de 46 anos do Partido dos Trabalhadores, em Salvador, o petista criticou o embargo econômico americano a Cuba e voltou a defender uma solução interna para a crise na Venezuela.
“O nosso país é solidário ao povo cubano, que é vítima de um massacre de especulação dos Estados Unidos contra eles. E que nós temos que encontrar, enquanto partido, um jeito de ajudar. O que é que a gente pode fazer? Nós temos que dizer alto e bom som que o problema da Venezuela tem que ser resolvido pelo povo da Venezuela e não pelos Estados Unidos ou pelo [presidente americano, Donald] Trump”, declarou.
Lula também exaltou a relação do Brasil com a China e mencionou que os países estão interessados em impedir o acesso do gigante asiático a recursos essenciais para o desenvolvimento de altas tecnologias e para a transição energética.
“E agora toda conversa, toda reunião é para evitar que os países vendam terras raras e minerais críticos para a China. É uma briga meio escondida, mas tudo é para a China, contra a China. E eu quero dizer que eu sou muito grato, muito grato à parceria que o Brasil tem com a China. Sou muito grato, porque é uma parceria exitosa e respeitosa”, elogiou o petista.
Eleições
Como pontapé inicial de sua pré-campanha à reeleição, Lula disse que “não há como” o PT perder para seus adversários em 2026, mas pregou que haja união no partido, com a superação de disputas internas. Ele citou como exemplo a situação da legenda em Santo André, no ABC Paulista, berço político da sigla.
“Em alguma coisa nós erramos. E nós temos que ter capacidade de ver aonde nós erramos para corrigir. A gente não pode continuar persistindo no erro. O PT de Santo André era extremamente organizado, era símbolo. O que aconteceu com o PT de Santo André? As brigas internas acabaram com o PT. Então, se a gente não levar em conta a necessidade de fazer uma reflexão da nossa trajetória… Olha, o partido é que tem que ser forte, não é o Lula”, alertou.
Lula também defendeu que o PT precisará fazer alianças regionais se quiser ganhar as eleições. Ele ponderou, no entanto, que o partido não precisa abandonar seus princiípios para isso.
“Nós não estamos com essa bola toda em todos os estados. Nós temos estados que nós precisamos compor. Nós precisamos decidir se a gente quer ganhar ou se a gente quer perder. Então, como eu quero ganhar, Edinho [Silva, presidente nacional do PT], você vai ter que tratar de fazer as alianças necessárias para a gente ganhar as eleições. Não tem que fazer negação dos princípios do PT. Um acordo político é uma coisa tática para a gente poder governar esse país como estamos fazendo agora”, pontuou.