Nikolas diz que estupro absolvido pelo TJMG é único e não conflita com luta antiaborto

Deputado esteve no TJMG nesta terça-feira (24) para se reunir com o presidente do tribunal e cobrar medidas acerca de caso em que homem de 35 foi absolvido de acusação por estupro de vulnerável

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) se reuniu com o presidente do TJMG para cobrar punições contra o desembargador que absolveu réu por estupro de vulnerável

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL) se reuniu com o presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Luiz Carlos Corrêa Júnior, nesta terça-feira (24) para discutir os desdobramentos da absolvição de um homem de 35 anos acusado de estuprar uma menina de 12 que gerou repercussão e revolta nacionais. Questionado pela Itatiaia, ele afirmou que o caso não conflita com sua atuação em defesa de propostas que restringem o aborto legal.

Após a reunião, Nikolas foi questionado pela reportagem sobre um possível conflito entre a postura dele nesse caso e a defesa de pautas como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 164/2012 que tramita na Câmara dos Deputados com o intuito de impedir o aborto legal mesmo em casos atualmente aceitos na lei brasileira (como em gestações oriundas de estupro). Ele afirmou que não há comparação entre o caso mineiro e outras situações já observadas no país.

Como mostrou a Itatiaia, há casos que chegaram até o Superior Tribunal de Justiça (STJ) em que o entendimento da corte pela absolvição de réus por estupro de vulnerável se alicerçou na proteção do nascituro. A argumentação é semelhante à proferida pelos parlamentares ultraconservadores do Congresso Nacional que trabalham pela tramitação de textos como a já referida PEC 164/2012.

“Não é conflitante, até mesmo porque as decisões, como você disse, são similares, mas há uma distância absurda entre uma e outra. Casos, por exemplos, que a gente viu de outras decisões de TJs ao redor do Brasil mostram que eram casos de crianças de 13 anos de idade com um homem de 18, que já estavam há bastante tempo juntos, que tinham ali suas relações sexuais e aí engravidou ela e, para poder permanecer aquele núcleo ali, teve um entendimento diferente. Acredito que neste caso em específico (o do Triângulo Mineiro) estamos tratando de um homem de 35 anos de idade que teve uma relação sexual com uma menina de 12 e tem um relacionamento há um mês, não se compara a nenhum outro caso. Não é se comparável. O cara é literalmente um traficante que usa droga na frente da menina”, declarou o parlamentar.

Neste mês, o desembargador Magid Nauef Lauar, relator do processo em que um homem de 35 anos era réu por estupro de vulnerável, apresentou seu entendimento pela absolvição por entender que ambos formam um núcleo familiar com vínculo afetivo. Nikolas e outros parlamentares tiveram reuniões com o presidente do TJMG para pedir um posicionamento do tribunal sobre o caso.

Um dos casos obtidos pela reportagem é um processo oriundo de Santa Catarina e julgado pelo STJ em novembro de 2024 em que um homem de 20 anos se relacionava com uma menina de 13. O tribunal decidiu pela absolvição porque a jovem de 13 anos estava grávida do réu. Mesmo com medidas protetivas impostas pelo Conselho Tutelar, os dois continuaram se encontrando com apoio dos familiares da vítima. Diante do caso o tribunal decidiu que embora o caso incorresse na infração do código penal, houve um relacionamento baseado em vontade livre e consciente e que a punição ao réu seria desproporcional.

Nikolas complementou a resposta destacando que não conhece a realidade de outros casos e prefere se ater ao processo específico absolvido neste mês pela 9ª Câmara Criminal do TJMG.

“A pergunta que tem que ser feita é: essa decisão ou outras decisões, estão defendendo aquela criança? Nós estamos realmente defendendo aquela pessoa que está vulnerável? É impossível eu tratar sobre cada caso, porque eu não os li. Eu li o acórdão deste caso que eu estou falando. Eu não sou jurista nem trabalho em nenhum tribunal. Eu sou deputado federal. Então não tem como eu saber de todos os casos que estão acontecendo. E neste caso em específico, para mim está extremamente claro que ele foge completamente de todo o caso que possa já ter acontecido aqui no nosso país”, concluiu.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

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