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Curió é apontado pela Procuradoria como líder da organização criminosa que orquestrava o esquema de corrupção. Ele está preso desde 22 de dezembro de 2025 e foi denunciado na última segunda-feira (19) pelo MPMA, junto com os familiares.
Ao todo, nove pessoas estariam envolvidas no desvio de recursos:
- Eva Maria Oliveira Cutrim Dantas, primeira-dama, conhecida como Eva Curió;
- Tânya Karla Cardoso Mendes Mendonça (PRD), vice-prefeita de Turilândia;
- Janaína Soares Lima, ex-vice-prefeita;
- Domingos Sávio Fonseca Silva, pai de Curió;
- Marcel Everton Dantas Filho e Taily de Jesus Everton Silva Amorim, irmãos de Curió;
- José Paulo Dantas Filho, tio de Curió;
- Ritalice Souza Abreu Dantas e Jander Silvério Amorim Pereira, cunhadas de Curió.
Todos foram presos na Operação Tântalo II, deflagrada em dezembro pelo Grupo Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do MPMA.
As investigações apontam um esquema de corrupção por meio da “venda” de notas fiscais por empresas que venciam licitações simuladas.
Segundo a denúncia, assinada pelo procurador-geral de Justiça, Danilo de Castro, Paulo Curió e pessoas próximas a ele recebiam de 82% a 90% dos valores pagos pela prefeitura de Turilândia. Os empresários ficariam com a fração residual — de 10% a 18% — apenas pela emissão de notas fiscais falsas, sem prestação de serviços ao município.
O dinheiro arrecadado pelo esquema criminoso teria sido usado para custear luxos do prefeito e de familiares, incluindo imóveis e as parcelas da faculdade de medicina da primeira-dama.
O MPMA ainda afirma que Eva Curió, esposa de Paulo, teria “controle direto” sobre as contas da prefeitura, realizando movimentações bancárias. Mesmo sendo primeira-dama de Turilândia, ela não ocupa cargo público no município. “No âmbito do núcleo político, a participação de familiares diretos do prefeito revelou-se elemento central para a estabilidade, coesão interna e blindagem patrimonial da organização criminosa, funcionando como verdadeiro círculo de confiança destinado à ocultação, dissimulação e fruição dos valores ilícitos”, avalia o procurador-geral de Justiça na denúncia.
O Ministério Público pede a condenação do prefeito e dos familiares envolvidos no esquema pelos crimes de organização criminosa, peculato-desvio, fraude a procedimento licitatório, corrupção passiva e lavagem de capitais.
O órgão também solicita à Justiça a perda de todos os bens, direitos e valores adquiridos por meio dos crimes praticados.
No caso de condenação, o MPMA pede que Curió perca o cargo e que o valor de R$ 56.328.937,59 seja devolvido aos cofres municipais, com correção monetária e acrescido de juros legais.
A Itatiaia tenta contato com os representantes de Paulo Curió, mas, até o momento, não obteve retorno.
Vereador em prisão domiciliar assume prefeitura
Com a prisão do prefeito e da vice-prefeita de Turilândia em dezembro,
O parlamentar José Luís Araújo Diniz, conhecido como Pelego (União Brasil), tomou posse como prefeito interino. Ele cumpre prisão domiciliar e também é investigado pelo Gaeco na Operação Tântalo II — que apura desvio de recursos da área da Saúde e da Assistência Social.
Com a saída de Pelego para o Executivo, a vice-presidente da Câmara, Inailce Nogueira Lopes (União Brasil), passou a exercer a presidência do Legislativo. Ela também cumpre prisão domiciliar.