Governo aprova lei que proíbe espaços nomeados com nomes de pessoas preconceituosas

Publicada no Diário Oficial nesta quarta-feira (14), legislação pode alterar nomeação de endereços no estado

Andreia de Jesus, Leninha e Ana Paula Siqueira propuseram o projeto em 2020

Entra em vigor nesta quarta-feira (14) a Lei 25.695/2026 que proíbe a denominação de lugares públicos com homenagens a participantes de atos discriminatórios e de violação a direitos humanos. Ela foi aprovada pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) em dezembro e sancionada pelo governador Romeu Zema nessa terça-feira (13).

De acordo com o texto, são vetadas homenagens a pessoas que tenham participado de atos de tortura ou violação de direitos humanos, crimes discriminatórios, integrado o movimento eugenista brasileiro ou participado historicamente no processo de tráfico e escravidão de pessoas negras e indígenas.

A legislação é fruto do Projeto de Lei (PL) 2.129/20, de autoria das deputadas Ana Paula Siqueira (Rede), Leninha (PT) e Andréia de Jesus (PT). Na segunda fase de votação na ALMG, foram 48 votos favoráveis a aprovação e nenhum contrário.

“Esta lei não apaga a história — ela a coloca onde deve estar: nos livros, nos museus, nos espaços de estudo e reflexão. O que celebramos nas nossas praças e prédios deve ser a luta por liberdade, democracia e direitos. Minas Gerais diz hoje que não compactua com a exaltação de práticas desumanas ou discriminatórias”, disse a deputada Andréia de Jesus durante a votação.

Nomes de endereços podem ser alterados

Alguns lugares de Belo Horizonte podem ser alterados por conta da legislação aprovada nesta quarta-feira. Confira uma lista com o envolvimento de alguns homenageados em endereços da capital mineira

  • Rua Monteiro Lobato - bairro Cinquententário (integrou a Sociedade Eugênica de São Paulo)
  • Rua Borba Gato - bairro Lagoinha (bandeirante responsável pela morte de indígenas)
  • Bairro Fernão Dias (bandeirante responsável pela morte de indígenas)
  • Rua Castelo Branco - bairro Santa Terezinha (ditador do regime militar brasileiro, responsável por tortura)

(Sob supervisão de Alex Araújo)

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Gustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.
Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

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