O líder do PSB na Câmara dos Deputados, Jonas Donizette, afirmou que não vê ambiente político favorável para a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o Banco Master. A declaração foi dada em entrevista à Rádio Itatiaia nesta segunda-feira (9).
Apesar de ter assinado requerimentos tanto de CPI quanto de CPMI sobre o caso, o deputado avaliou que a proposta dificilmente avançará no Congresso. “Gostaria que fosse aberta, eu acho interessante desvendar bastante coisa, mas não vejo horizonte para isso”.
Embora parlamentares da base e da oposição afirmem publicamente que não têm receio de uma investigação, a decisão final sobre a instalação depende dos presidentes das Casas Legislativas. Hoje, a Câmara é comandada por Hugo Motta e o Senado por Davi Alcolumbre.
Pelo regimento, cabe ao presidente da Casa responsável dar andamento ao pedido após o cumprimento dos requisitos formais. Donizette falou que “as articulações políticas envolvidas na eleição das Mesas Diretoras acabam influenciando decisões dessa natureza”.
O parlamentar também citou a possibilidade de judicialização: “É uma situação que deixa a gente sempre pensando que tem algo por trás das coisas”, afirmou.
INSS e mudança de foco
Sobre a CPMI do INSS, com prazo perto de acabar, Donizette disse acreditar que não haverá prorrogação. Ele afirmou que o foco do debate político tende a migrar para o caso do Banco Master.
“Se for para falar do Banco Master, talvez seja melhor abrir uma CPI específica sobre o tema e dar uma resposta do que já foi investigado no INSS”, defendeu ele.
Apesar de muitos parlamentares dizerem que apoiam a investigação, o líder do PSB reconheceu que, na prática, o clima político em Brasília não favorece a instalação da comissão agora. Com o Congresso já voltado para as eleições, temas mais delicados devem ter ainda mais resistência para avançar.