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Congresso diz ao STF que Lula usou IOF para arrecadar e reforça pedido para manter suspensão do decreto

Parlamento acusa o governo de desviar a finalidade do IOF e diz que aumento por decreto foi usado para reforçar o caixa

Vista do Congresso Nacional a partir da sede do Supremo Tribunal Federal (STF)

O Congresso Nacional enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (14), uma defesa prévia contra os decretos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que aumentaram as alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). O documento foi entregue ao ministro Alexandre de Moraes, um dia antes da audiência de conciliação marcada pelo relator do caso.

Na manifestação, as Advocacias da Câmara e do Senado argumentam que o governo usou o IOF com finalidade arrecadatória, o que violaria a Constituição. O imposto, segundo o entendimento do Congresso, só pode ter suas alíquotas alteradas por decreto presidencial quando o objetivo for regular o crédito, a política monetária ou cambial - e não reforçar o caixa.

O governo, por sua vez, anunciou o aumento como forma de ajustar as contas públicas dentro do novo arcabouço fiscal, o que, para o Congresso, configura desvio de finalidade. A reação foi imediata: a medida caiu como uma bomba entre deputados e senadores, que aprovaram um Decreto Legislativo para sustar os efeitos dos atos do Executivo, com 383 votos favoráveis na Câmara e votação simbólica no Senado.

Os decretos assinados por Lula neste ano elevaram o IOF sobre operações de crédito, câmbio e seguros, tanto para pessoas físicas quanto jurídicas, e passaram a tributar novas operações, como o risco sacado - um mecanismo usado por empresas para antecipar pagamentos a fornecedores, com intermediação de bancos.

No documento, o Congresso sustenta que atuou dentro de suas prerrogativas constitucionais ao revisar decretos regulamentares - ou seja - que apenas detalham leis já existentes, sem força de lei própria, e que, por isso, são passíveis de controle parlamentar.

No início de julho, Moraes suspendeu provisoriamente os efeitos dos decretos presidenciais e convocou a audiência entre os Poderes para esta terça-feira (15), numa tentativa de conciliação. O Planalto, no entanto, insiste na validade dos atos e deve defender que o aumento está dentro de suas competências.

Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio