O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, criticou nesta sexta-feira (29) o modelo de distribuição de renda que é realizado pelo Brasil. De acordo com o ministro é necessário ter mudanças no modelo.
“O Brasil não pode figurar entre as 10 maiores economias do mundo e, ao mesmo tempo, entre as piores economias no ponto de vista de distribuição de renda, que é exatamente a situação onde nos encontramos”, afirmou Haddad.
O ministro da Fazenda ainda afirmou que não é possível um país crescer economicamente com a distribuição de renda atual.
“É impossível um país crescer, de maneira sustentável, com esta distribuição de renda que nós temos no Brasil. É preciso dar mais transparência para a situação social em que o país vive”, complementou Haddad.
As declarações foram feitas durante a apresentação do estudo “Retrato da Desigualdade e dos Tributos Pagos no Brasil”, elaborado por economistas brasileiros e internacionais.
Para o ministro, é preciso dar mais transparência à realidade social do país. Haddad também voltou a defender a aprovação do projeto que isenta do pagamento de Imposto de Renda quem recebe até R$ 5 mil por mês.
A proposta já teve urgência aprovada na Câmara dos Deputados. Agora, parlamentares aliados a base do governo trabalham para que o mérito da proposta seja pautado na próxima semana.
Estudo
A pesquisa, realizada pelo EU Tax Observatory com base em dados da Receita Federal, aponta que o sistema tributário brasileiro pesa mais sobre pobres e classe média do que sobre os super-ricos.
Segundo o levantamento, os 0,01% mais ricos pagam, em média, uma alíquota efetiva menor que trabalhadores da classe média assalariada. O 1% mais rico concentra 27,4% da renda nacional, um dos índices mais altos do mundo.
“A concentração de renda do 1% mais rico atinge 27,4% da renda nacional, um dos níveis mais elevados do mundo e 7,1 pontos percentuais acima da estimativa mais recente”, afirma a pesquisa.
Segundo o estudo, o Brasil mantém um dos sistemas tributários mais regressivos do mundo: quanto maior a renda, menor o peso relativo dos impostos.
O relatório reforça diagnósticos de organismos internacionais, como o Banco Mundial e a OCDE, de que o modelo tributário brasileiro aprofunda desigualdades em vez de reduzi-las.