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CNI diz que ‘não é o momento’ para governo aplicar reciprocidade contra os EUA

Entidade defendeu que a gestão petista intensifique as negociações para reverter o tarifaço e avalia que o momento exige ‘cautela’

O presidente da Confederação Nacional da Indústria, Ricardo Alban

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defendeu nesta sexta-feira (29) que “não é o momento” para o governo Lula (PT) aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica aos produtos americanos em reação à sobretaxa de 50% às exportações brasileiras. A norma autoriza que a administração federal adote contramedidas aos parceiros comerciais do Brasil que impuserem restrições aos itens nacionais.

Segundo o presidente da entidade, Ricardo Alban, é necessário intensificar as negociações com a gestão de Donald Trump para reverter os efeitos do tarifaço e avalia que o momento exige “cautela”.

Ele também anunciou que uma comitiva com mais de 100 empresários e líderes de associações industriais brasileiros irá a Washington na próxima semana em busca de uma solução para o impasse tarifário.

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“Precisamos de todas as formas buscar manter a firme e propositiva relação de mais de 200 anos entre Brasil e Estados Unidos. Nosso propósito é abrir caminhos para contribuir com uma negociação que possa levar à reversão da taxa de 50% e/ou buscar obter mais rapidamente o aumento de exceções ao tarifaço sobre produtos brasileiros”, diz Alban.

Na capital americana, a comitiva da CNI fará reuniões bilaterais com parceiros estadunidenses, além de promover encontros preparatórios para a defesa do setor industrial na audiência pública, marcada para 3 de setembro, sobre a investigação aberta em julho pelo governo Trump sobre práticas comerciais “desleais” do Brasil.

“Como representante do setor industrial brasileiro, a CNI formalizou uma manifestação em defesa do Brasil, argumentando que o país não adota práticas injustificáveis, discriminatórias ou restritivas ao comércio bilateral”, destaca a entidade.

Repórter de política em Brasília. Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), chegou na capital federal em 2021. Antes, foi editor-assistente no Poder360 e jornalista freelancer com passagem pela Agência Pública, portal UOL e o site Congresso em Foco.