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Sonho da casa própria: consórcio de imóveis movimenta R$146,56 bilhões

Relatório da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) indica um aumento de 57% quando comparado com o mesmo período do ano passado

O consórcio de imóveis se destacou como uma das principais escolhas dos brasileiros na hora de conquistar a casa própria no primeiro semestre deste ano

O consórcio de imóveis se destacou como uma das principais escolhas dos brasileiros na hora de conquistar a casa própria no primeiro semestre deste ano. A modalidade movimentou, apenas nos primeiros sete meses do ano, cerca de R$146,56 bilhões de volume de créditos comercializados, segundo relatório da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC).

O valor representa um aumento de 57% na procura pela modalidade quando comparado com o mesmo período do ano passado. Apenas em junho de 2025, o Sistema de Consórcios registrou 2,45 milhões de adesões, sendo considerado o terceiro maior setor em números de consorciados ativos no Sistema, o que representa crescimento de 31% em relação ao mesmo mês de 2024, de acordo com o relatório.

O segmento viu o número de vendas de cotas chegar a 695,89 mil, no primeiro semestre, enquanto as contemplações chegaram a quase 80 mil, com R$16,65 bilhões em créditos liberados. Os números demonstram a elevada demanda pela modalidade.

Para o educador financeiro e executivo e sócio da Multimarcas Consórcios, Fernando Lamounier, a busca pelo consórcio se deve ao fato de ser uma modalidade de crédito que traz mensalidades que cabem no bolso.

“O crescimento significativo da demanda por consórcios deve-se à imprevisibilidade da taxa de juros, prejudicando a aquisição de bens de valor pelo financiamento, fazendo do consórcio uma opção viável em longo prazo para a aquisição desses bens. Além disso, o aumento da demanda também ocorre graças à necessidade de planejamento financeiro que está se impondo à população devido à situação financeira atual”, reforçou Fernando Lamounier.

Alternativa em meio a alta do preço do imóveis

O aumento nos valores dos imóveis e, consequentemente, no valor médio das entradas nos financiamentos, é visto como um incentivo à migração para o consórcio. Segundo o Índice FipeZAP, responsável pelo monitoramento de 56 cidades brasileiras, houve uma valorização média de 3,33% nos preços de imóveis residenciais nos primeiros três meses deste ano.

Os dados divulgados pela ABAC reforçam essa tendência: o tíquete médio mensal de julho somou R$270,12 mil, representando um aumento de 48,2% em relação ao ano passado. Em meio a isso, o aumento da taxa selic para 15% ao ano, considerado o maior patamar dos últimos 20 anos, eleva o custo dos financiamentos tradicionais.

Com parcelas cada vez mais pesadas para o bolso do brasileiro, além das exigências rigorosas dos bancos, o cenário contribui para a restrição significativa da aprovação do crédito, deixando muitas famílias fora do sistema de financiamento imobiliário.

“Quando estamos falando de bens ou produtos de maior valor agregado, a tomada de decisão para adquiri-los deve ser realizada com cuidado e responsabilidade, pois estamos falando de uma dívida que pode durar anos caso não seja bem planejada. Nesse sentido, o consórcio tem sido uma alternativa para o brasileiro que precisa desse planejamento já que os valores de financiamento e empréstimo se tornam impeditivos para quem realmente coloca o custo na ponta do lápis”, explicou o especialista.

(Sob supervisão de Lucas Borges)

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Rebeca Nicholls é estagiária do digital da Itatiaia com foco nas editorias de Cidades, Brasil e Mundo. É estudante de jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNIBH). Tem passagem pelo Laboratório de Comunicação e Audiovisual do UniBH (CACAU), pela Federação de Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg) e pelo jornal Estado de Minas