Banco Master: Mendonça autoriza perícias amplas da PF e revê decisão de Toffoli

Ministro libera análise sem restrições de cerca de 100 aparelhos apreendidos, mantém custódia com a PF e reduz grau de sigilo do caso

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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quinta-feira (19) que a Polícia Federal (PF) realize perícias sem restrições em aproximadamente 100 aparelhos eletrônicos apreendidos na investigação sobre fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.

Diante do grande volume de dados, o ministro permitiu que a extração, indexação e análise do material sigam o fluxo ordinário de trabalho da corporação, com distribuição regular entre peritos habilitados.

Mendonça também autorizou a PF a manter a custódia integral dos bens apreendidos em seus próprios depósitos e a realizar diligências de rotina, como a oitiva de investigados e testemunhas, desde que não dependam de nova autorização judicial específica.

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Na decisão, o ministro recomendou que a corporação preserve o sigilo das apurações. Ele determinou que apenas autoridades e agentes diretamente envolvidos na investigação tenham acesso às informações obtidas.

“Somente as autoridades policiais e agentes diretamente envolvidos na análise e condução dos procedimentos reciprocamente compartilhados é que devem ter conhecimento das informações acessadas”, afirmou.

O ministro ainda estabeleceu que a eventual instauração de novas investigações ou inquéritos deverá ser previamente requerida a ele, de forma expressa e fundamentada, aguardando deliberação caso a caso.

Além disso, Mendonça reduziu o grau de sigilo do processo. O caso estava classificado no nível 4 — o mais restritivo — e passou para grau 3, considerado menos rigoroso.

Novo relator

Mendonça assumiu a relatoria das investigações na última quinta-feira (12), após a saída do ministro Dias Toffoli do caso. A redistribuição foi encaminhada ao presidente da Corte, Edson Fachin, depois de reunião entre os magistrados.

Segundo nota divulgada após o encontro, Toffoli optou por deixar a relatoria, decisão acolhida de forma unânime. Os ministros afirmaram que não caberia suspeição do então relator, como havia sido solicitado pela Polícia Federal, e reconheceram a plena validade dos atos praticados por ele até então.

A mudança ocorreu após a PF encaminhar a Fachin relatório com dados extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. As mensagens periciadas mencionariam supostos pagamentos direcionados a Toffoli.

Entre os conteúdos analisados, o banqueiro teria relatado um pagamento de R$ 20 milhões a uma empresa ligada ao ministro. A PF investiga se a transferência partiu de uma empresa que foi sócia de um fundo relacionado ao Banco Master no Tayayá Resort, empreendimento frequentado por Toffoli e que pertenceu a seus irmãos.

Repórter de política em Brasília, com foco na cobertura dos Três Poderes. É formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB) e atuou por três anos na CNN Brasil, onde integrou a equipe de cobertura política na capital federal. Foi finalista do Prêmio de Jornalismo da Confederação Nacional do Transporte (CNT) em 2023.

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