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O palanque vazio no estado acontece devido à posição do vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), que vai manter lealdade ao governador Romeu Zema (Novo), que também é pré-candidato à Presidência da República, e não apoiará o candidato de seu próprio partido para o Palácio do Planalto. A informação foi confirmada à Itatiaia por interlocutores da pré-campanha de Simões ao governo do estado. “Isso não se negocia, é o Zema”, afirmou uma fonte à reportagem.
O apoio a Zema também ocorre frente a uma pressão do PL, partido de Jair Bolsonaro, para que Simões abra mão do apoio ao governador em sua empreitada ao Palácio do Planalto para que ele sirva como ponte para um palanque para Flávio Bolsonaro em Minas. Um eventual apoio do PL à candidatura de Simões ao governo do estado estaria condicionado a isso, conforme apurado pela Itatiaia.
Sem protagonismo
Apesar do apoio certo a Zema, o vice-governador corre o risco de se tornar apenas um candidato satélite do atual chefe do Executivo mineiro e amargar uma campanha sem protagonismo nas eleições de 2026, segundo avaliação de pessoas próximas a Simões.
Fontes relataram à reportagem um incômodo com a performance do atual governador, que é pré-candidato à Presidência da República, nas pesquisas de opinião e apontam um cenário deficitário para o recém-chegado pessedista.
Conforme levantamento divulgado pela Quaest no fim de dezembro, o governador de Minas Gerais vem vencendo parte do desconhecimento no Brasil, mas tem registrado crescente alta nos níveis de rejeição e queda no potencial de voto.
Em janeiro deste ano, 62% dos brasileiros afirmavam desconhecer Zema, enquanto 15% afirmavam que o conheciam e votariam nele e, 23%, disseram que o conheciam, mas não votariam no gestor. Em dezembro, no dado mais recente, o desconhecimento de Zema caiu para 51%, enquanto seu potencial de voto flutuou para baixo, em 14%, e a rejeição subiu para 35%.
Pré-campanha teme que Zema atrapalhe Simões
O temor da pré-campanha do vice-governador é que o desempenho de Zema atrapalhe Simões, ainda muito ligado à figura do chefe do Executivo mineiro e apontado abertamente por ele como seu sucessor. “Não há transferência de votos de Zema para Simões”, disse, em reservas, uma fonte do Novo, partido berço de Simões, do qual recentemente se despediu.
Outro problema descrito é a estrutura de campanha do vice-governador, que segue ligada ao antigo partido, segundo relatado à Itatiaia, enquanto, no PSD, haveria menor afinco com a candidatura de Simões ao governo do estado. “O preço disso é que a campanha do Simões agora é uma extensão da campanha presidencial do Zema”, avaliou uma fonte.
Em contrapartida, o presidente estadual do Novo em Minas, Christopher Laguna, lembra que a avaliação de Zema no estado continua “muito boa” e que há uma relação “harmoniosa” entre o governador e Mateus Simões.
“Não vejo que qualquer queda do Zema possa causar uma ruptura com Mateus e estamos trabalhando para não haver queda. Temos que ver o cenário, o crescente cenário de apoio ao Mateus. É uma união cada vez mais forte”, declarou.
Sobre o suposto maior engajamento do Novo na pré-campanha, Laguna nega e diz que há uma proximidade histórica de Mateus Simões com o partido devido ao legado deixado por ele na legenda durante os anos de filiação.
“Mateus é nosso sucessor natural, as pessoas estão engajadas na campanha dele. Nossa equipe de trabalho continua, não consigo avaliar a equipe do PSD, mas o esforço e o grande está sendo grande de muitas partes”, afirma.
Contudo, ele admite que “pode haver um filiado ou outro achando diferente”. “Não temos nenhum ressentimento com o PSD. É mais boato de gente que está de fora do que de gente que está de dentro”, defende.
A reportagem procurou o presidente do PSD em Minas Gerais, deputado estadual Cássio Soares, para comentar a “traição” de Mateus Simões ao partido, mas não houve resposta até a publicação. O espaço continua aberto.