As mulheres estão assumindo posições de liderança em instituições financeiras de relevância global com frequência cada vez maior. Mas o ritmo dessa tendência é lento, resultado que se deve basicamente a dois fatores: as fortes resistências existentes em um ambiente historicamente masculino; um ambiente corporativo onde a políticas ambientais e afirmativas começaram a perder fôlego em 2024.
Esse novo cenário torna distante a perspectiva de paridade de gênero no topo do ecossistema das finanças.
Essas são algumas das conclusões da 12ª. edição do Índice de Equilíbrio de Gênero (GBI) da Official Monetary and Financial Institutions Forum, organização independente que monitora 6.635 posições de liderança sênior em 335 instituições globais, assim divididas: 185 bancos centrais, 50 fundos soberanos, 50 fundos de pensão e 50 bancos comerciais com atuação internacional.
Pela primeira vez, três organizações – Banco Central do Chile, Ontario Teachers’ Pension Plan e Norges Bank Investment Management – alcançaram a pontuação máxima de 100, ou seja, um equilíbrio na presença de homens e mulheres em posições de comando. O Banco do Brasil é destaque logo a seguir, com 84 pontos.
Sair do discurso para a prática é chave, como registrou Mary-Elizabeth McMunn, vice presidente do banco central da Irlanda, na publicação do índice: “É importante dar o tom a partir do topo das instituições. Nós temos feito isso por meio de nossos valores. Nós abraçamos os temas de diversidade e inclusão, uma vez que eles nos fortalecem tanto como indivíduos como organização”, afirma.
“Esse é o poder da inclusão”, endossou no mesmo espaço Regina Curry, que ocupa a posição de Chief Diversity Officer na firma global de investimentos Franklin Templeton. “Isso aumenta nossa agilidade, otimiza soluções para clientes e fortalece nossa performance de longo prazo”.
Entre as instituições financeiras acompanhadas anualmente 44% mostraram maior participação de mulheres em posições de comando, mas a média de pontuação nas 365 instituições ainda é baixa: 42.
Em posições de board member, as mulheres ocupam 33% das cadeiras daquele universo.
No geral, a participação de mulheres em cargos de liderança subiu para 16%, com pequenos progressos em funções de alto escalão. Mas elas ainda ocupam apenas 26% dos cargos que geram receita – um fator crucial para promoções rumo ao topo.
A participação de mulheres em cargos de alta direção (C-suite) em todos os bancos comerciais incluídos no Índice de Equilíbrio de Gênero subiu para 19% em 2025, após ter caído para 15% em 2024.
Os fundos soberanos dobraram sua pontuação média no Índice em um intervalo de quatro anos, passando de 19 em 2021 para 38 em 2025, impulsionados pelos mercados emergentes.
Os fundos de pensão continuam sendo o grupo com melhor desempenho, mas atingiram um patamar estável, com menos CEOs mulheres do que em 2024.
Hoje, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), são 28 as mulheres que comandam bancos centrais.