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‘Sabemos que o salário do servidor em MG não é adequado’, admite secretário de Governo de Zema

Gustavo Valadares afirmou que recomposição inflacionária foi o máximo possível para manter o equilíbrio dos cofres públicos e seguir

O secretário de Governo, Gustavo Valadares, afirmou nesta segunda-feira (24), durante audiência na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que o governador Romeu Zema (Novo) e sua equipe consideram que a remuneração do funcionalismo estadual “não é adequada” e “não orgulha o governo”.

O secretário foi questionado por deputados sobre o projeto que concedeu reajuste de 4,62% aos servidores do Executivo. Inicialmente, o governador enviou um texto prevendo aumento de 3,62% (valor abaixo da inflação do ano passado), mas após resistência na ALMG o percentual aumentou para recompor as perdas da inflação.

O projeto ainda não foi sancionado pelo governador e, segundo Valadares, o chefe do Executivo deve assinar e publicar o texto ainda nesta semana, até quinta-feira (27).

“A situação do estado de Minas Gerais é conhecida por todos, é uma situação até certo ponto complicada. Temos batendo a nossa porta uma dívida de R$ 160 bilhões ainda sem solução, temos o problema de ter ultrapassado em 2% o limite dos gastos com pessoal na Lei de Responsabilidade Fiscal, o que nos veda dar recomposições diferenciadas a certas categorias de servidores. A questão principal é a questão de caixa. Esforço esse governo está fazendo de forma permanente. Nossa discussão sobre a melhoria dos servidores é permanente”, afirmou Gustavo Valadares.

“Todas as semanas nos reunimos com o governador, vice, planejamento, e conversamos sobre o fluxo de caixa e sobre novas perspectivas, se a receita teve algum acréscimo, se as despesas cresceram. Todos nós do governo temos plena consciência da importância do servidor público para o bom andamento do estado. Todos nós temos a consciência que eles merecem receber mais do que recebem. O salário do servidor, em qualquer área, não orgulha o Executivo. Nós sabemos que ela não é adequada. Agora, é a remuneração possível de ser dada para que possamos manter as obrigações em dia, com salário em dia, 13º sendo pago, para as obrigações com as prefeituras sendo pagas em dia, para que investimentos em saúde e educação não parem de acontecer”, finalizou o secretário de Governo.

O deputado Sargento Rodrigues rebateu Valadares e afirmou que o Lei de Responsabilidade Fiscal não poderia ser usada como justificativa para limitar o reajuste dos servidores e questionou o reajuste concedido ao próprio governador, de 298%, e aos secretários de Estado.

“O secretário alegou limite da LRF, mas eu alertei que a LRF não impede o governo de fazer a recomposição da inflação. O governo não tem impedimento legal. Se vossa excelência continuar batendo na tecla que tem impedimento financeiro, posso até entender, mas impedimento legal não tem”, rebateu Sargento Rodrigues.

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Editor de Política. Formado em Comunicação Social pela PUC Minas e em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já escreveu para os jornais Estado de Minas, O Tempo e Folha de S. Paulo.
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