Assassino confesso da vereadora Marielle Franco, o ex-policial militar Ronnie Lessa admitiu, em delação premiada, que foi o responsável por contratar o também ex-PM Élcio de Queiroz, para participar do crime. Os detalhes constam em uma série de depoimentos dados por Lessa à Polícia Federal no ano passado. Queiroz dirigiu o chevrolet Cobalt usado para o cometimento do crime.
Nesta sexta-feira (7), o ministro
Lessa diz ter entrado em contato com Élcio no réveillon de 2017, três meses antes do assassinato, mas que não revelou quem seria o alvo da “missão” e nem quanto seria pago pelo serviço.
Um dos delegados que participaram do depoimento questionou ao ex-PM o que ele havia dito ao colega no momento do convite.
“Que tinha um alvo pra ser eliminado, era uma mulher, não revelei quem era, deixei pra revelar somente no dia que eu acionei, que realmente o crime aconteceu; mas ele sabia que era uma mulher que seria morta e que lá na frente posteriormente, eu daria uma vantagem a ele; não expliquei a ele exatamente no dia do que se tratava, eu desviei muito o assunto, deixei ele meio perdido é a grande verdade; ele não sabia exatamente o que iria ganhar com isso”, confessou.
Crime foi planejado com antecedência
O
“Primeiro ou segundo semestre?”, perguntou o promotor que participou da oitiva.
Lessa respondeu: “Mais pro segundo...exatamente, no segundo semestre, sim. Porque a gente tinha contato sempre, então, na verdade fica difícil (lembrar) porque a gente estava sempre conversando coisas. Então ele me fez a proposta e eu aceitei, e ele ficou de tratar com as pessoas que realmente deveria confirmar, ouvir das pessoas e apertar a mão, simplesmente fechar o negócio.”
Lessa teria sido procurado pelo amigo Edmilson Oliveira da Silva, conhecido como Macalé, também ex-policial militar. “A proposta era matar a vereadora Marielle. A proposta era que nós, com isso, ganharíamos um loteamento. Eram dois loteamentos em questão, um seria deles, dos mandantes, das pessoas envolvidas, e a segunda seria da mão de obra de nós”, disse Lessa.
Delegado era “personagem imprescindível”
Em delação premiada à Polícia Federal (PF), o ex-policial Ronnie Lessa, assassino confesso da vereadora Marielle Franco (PSOL) detalhou o
Em um manuscrito anexado ao documento, Ronnie Lessa afirma que o crime começou a ser premeditado no segundo semestre de 2017 e foram realizadas três reuniões presenciais para que a quadrilha chefiada pelos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão pudesse combinar os detalhes do crime. Marielle foi assassinada em 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro, após deixar uma reunião.
Lessa se refere a Rivaldo Barbosa como “personagem imprescindível” tanto no pré como no pós crime e que foi mencionado pelos Brazão como “garantia para o bom desfecho da missão”, ou seja, do assassinato de Marielle Franco. Lessa também se refere ao delegado como “guru” e “carta branca”.