Diretor do BC vai abrir sigilos após ser apontado como intermediador do Master com o BRB

Diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino nega que recomendou ao BRB a compra de créditos do Master

Ailton de Aquino Santos, diretor de fiscalização do BC

O diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, vai abrir mão de seus sigilos para provar que não recomendou ao Banco de Brasília (BRB) que comprasse carteiras de crédito falsas do Banco Master. Em nota divulgada nesta sexta-feira (23), a autoridade monetária saiu em defesa de Aquino e negou a atuação do técnico no caso.

Aquino vai colocar à disposição do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF) suas informações bancárias, fiscais e as conversas com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, demitido do banco estatal em novembro após a primeira fase da operação Compliance Zero.

“A propósito de notícias relacionadas a cessões de carteiras de crédito do Banco Master para o BRB, o Banco Central informa que, sob o comando do Diretor Ailton de Aquino Santos, a área de Supervisão da Autarquia foi responsável pela identificação de inconsistências nas referidas operações, tendo, de imediato, promovido rigorosas investigações, que levaram à demonstração da insubsistência dos ativos integrantes de tais carteiras”, disse.

A suposta atuação de Aquino no caso foi divulgada pelo blog da jornalista Malu Gaspar, no jornal O Globo. A publicação noticia que Aquino enviou mensagens a Paulo Henrique Costa pedindo a aquisição de créditos para socorrer o conglomerado do empresário Daniel Vorcaro, que então apresentava problemas de liquidez.

Porém, o BC nega a informação e afirma que foi a área chefiada por Aquino que promoveu a comunicação da fraude do Master ao MPF, acompanhada de documentação comprobatória e criteriosas análises técnicas.

Também foi do diretor a iniciativa de levar ao comando do BC a liquidação extrajudicial do Master. “Portanto, o Diretor Ailton de Aquino afirma que, obviamente, jamais recomendou a aquisição de carteiras fraudadas”, emendou o BC em nota.

Ainda de acordo a reportagem de O Globo, as mensagens foram apresentadas por Paulo Henrique Costa aos conselheiros do BRB em março de 2025. Na ocasião, foi aprovada a proposta de compra de 58% das ações do conglomerado do Master, operação que posteriormente foi barrada pelo BC por riscos ao Sistema Financeiro Nacional (SFN).

As investigações apontam que o BRB teria injetado R$ 16,7 bilhões no Master entre 2024 e 2025, na compra de carteiras de crédito falsas e ativos irregulares. No ano passado, o BRB informou que já teria liquidado ou substituído mais de R$ 10 bilhões dos ativos do Master, e disse que poderia receber um aporte do seu controlador, o governo do Distrito Federal, caso seja confirmado o prejuízo no caso Master.

Na quarta-feira (21), a operadora Mastercard se tornou acionista do BRB ao executar dívidas do Will Bank, financeira digital do conglomerado do Master. A operação confirma que Vorcaro era dono de uma participação, mesmo que minoritária, no banco estatal, o que ele negava no passado.

“O Banco Central tem a obrigação legal de acompanhar permanentemente as condições de liquidez, inclusive aquisições de ativos entre instituições financeiras, visando a assegurar a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional e resguardar os interesses dos depositantes, investidores e demais credores. No exercício desse mandato, a área de Supervisão do Banco Central, na forma da legislação em vigor, rotineiramente monitora riscos e busca soluções para eventuais problemas de liquidez que venham a ser identificados em toda e qualquer instituição financeira”, disse a nota do BC.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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