Infraestrutura é base do desenvolvimento e exige mais investimento, afirma Emir Cadar Filho

Presidente da Cadar Engenharia e vice-presidente da FIEMG defende que concessões e parcerias com a iniciativa privada se tornaram fundamentais para ampliar a infraestrutura nacional

Emir Cadar Filho, presidente da Cadar Engenharia e vice-presidente da FIEMG

O Brasil ainda investe menos do que o necessário em infraestrutura, o que limita o crescimento econômico e reduz a competitividade do país. A avaliação é do empresário Emir Cadar Filho, presidente da Cadar Engenharia, vice-presidente da FIEMG e presidente do Conselho de Infraestrutura da entidade, entrevistado no Itatiaia Negócios Cast.

Logo no início da entrevista, Emir defendeu que não existe progresso econômico sem infraestrutura. “Não existe economia, não existe progresso sem infraestrutura”, afirmou. Segundo ele, países desenvolvidos chegaram a esse patamar justamente por terem investido de forma consistente em logística, transporte e saneamento. “Só há progresso onde há infraestrutura”, completou.

Ao explicar o conceito, Emir destacou que o tema vai muito além das rodovias. “Quando a gente fala em infraestrutura, estamos falando de portos, aeroportos, rodovias, ferrovias, hidrovias, ruas das cidades e também saneamento básico”, disse. Para ele, todos esses elementos formam a base para o funcionamento da economia.

Ao analisar o cenário brasileiro, Emir afirmou que o país acumulou um atraso histórico nos investimentos em infraestrutura. Segundo ele, obras estruturantes passaram a ser tratadas como despesa pública ao longo dos anos. “O dinheiro que era necessário para implantar rodovias e ferrovias começou a ser visto como gasto”, afirmou.

Ele lembrou que o Brasil viveu um período de forte expansão da infraestrutura no passado, especialmente nas décadas de 1960 e 1970. No entanto, segundo Emir, a falta de continuidade nos
investimentos criou um grande déficit logístico. “Quando a gente olhou para trás, tinha um gap enorme entre o que precisava ter sido investido e o que foi realmente investido”, explicou.

Durante a entrevista, Emir apresentou dados sobre o volume de investimentos necessário ser considerado insuficiente para reduzir o déficit logístico acumulado ao longo das últimas décadas. para reduzir esse atraso. Segundo ele, países que passaram por grandes ciclos de crescimento econômico, como China e Índia, chegaram a investir entre 9% e 10% do PIB em infraestrutura. No caso brasileiro, ele afirma que o país deveria investir cerca de 4% do PIB por ano no setor. “Hoje é aplicado menos de 1% do PIB em infraestrutura”, afirmou.

Para Emir, o investimento público sozinho não é suficiente para resolver esse problema. Ele defende que concessões e parcerias com a iniciativa privada se tornaram fundamentais para ampliar a infraestrutura nacional. “O dinheiro público não consegue sustentar sozinho esse volume de investimento que o Brasil precisa”, afirmou.

Segundo ele, o modelo de concessões já mostrou resultados positivos em estados como São Paulo. “São Paulo viu isso 25 anos atrás e concedeu suas rodovias. Hoje você entra nas estradas e vê que tudo funciona muito melhor”, disse.

Ao falar sobre o ambiente de negócios, Emir destacou que a burocracia ainda é um dos maiores obstáculos enfrentados por empresários no Brasil. “Às vezes você protocola um documento e a resposta demora seis meses”, afirmou. Para ele, essa demora desestimula investimentos e dificulta a execução de projetos.

O empresário também avaliou o momento atual da infraestrutura no país e apontou oportunidades importantes em novos projetos ferroviários e rodoviários. Segundo ele, iniciativas como a criação de novas ferrovias e as chamadas shortlines podem ampliar a integração logística do Brasil.

No quadro Raio X, Emir respondeu de forma direta sobre os principais problemas enfrentados pelas obras públicas. Questionado sobre onde nasce o erro que compromete muitos projetos, ele foi objetivo: “Não tenha dúvida que é projeto malfeito”. Segundo ele, muitas vezes tenta-se economizar na fase de planejamento. “Eu sou a favor que se gaste o triplo no projeto, porque a obra fica mais barata no final”, afirmou.

No mesmo quadro, Emir também respondeu se infraestrutura deve ser vista como custo ou investimento. Para ele, não há dúvida. “Infraestrutura é investimento”, disse, defendendo inclusive a criação de uma regra que garanta investimento mínimo no setor, semelhante ao que já ocorre com áreas como saúde e educação.

Na Pergunta de Ouro da audiência, Emir respondeu quem paga a conta quando uma obra pública ultrapassa o orçamento previsto. Ele explicou que o custo final sempre recai sobre a sociedade. “No final sai do bolso da população”, afirmou. Segundo ele, isso acontece porque os recursos utilizados nas obras vêm dos impostos pagos pelos cidadãos.

Ao comentar sobre aditivos contratuais, Emir afirmou que muitas vezes o problema começa no projeto. “O aditivo não é aumento de preço sem motivo. Normalmente é aumento de escopo porque alguma coisa não estava prevista no projeto”, explicou.

O empresário também respondeu outra pergunta da audiência sobre por que tantas obras públicas demoram para começar ou acabam atrasando. Segundo ele, grandes projetos envolvem fatores

complexos. “Obras grandes são muito complexas”, afirmou, citando desapropriações, licenciamento, financiamento e desafios técnicos como fatores que influenciam os prazos.

No quadro Responde Aí, Chefe, Emir respondeu à pergunta do prefeito de Nova Lima, João Marcelo, sobre quais caminhos Minas Gerais precisa seguir para tornar sua infraestrutura mais competitiva. Ele afirmou que o estado precisa avançar em dois pontos principais: ampliar concessões rodoviárias e investir na recuperação das estradas que permanecem sob gestão do poder público.

Segundo Emir, melhorar a qualidade das rodovias reduz custos logísticos e aumenta a competitividade econômica. “Quando você melhora a infraestrutura, você reduz custo de pneu, combustível, manutenção e torna o estado mais competitivo”, afirmou.

Ao final da entrevista, Emir deixou conselhos para quem deseja empreender no setor de infraestrutura. Segundo ele, trata-se de um segmento que exige responsabilidade técnica e planejamento financeiro. “Infraestrutura é um setor muito difícil”, afirmou. Ele alertou ainda para o risco de empresas oferecerem descontos excessivos em licitações. “Tem que tomar cuidado com aquela vontade de ganhar uma obra a qualquer custo”, disse.

O episódio reforça o papel do Itatiaia Negócios Cast como um espaço de discussão sobre negócios, políticas públicas e decisões que impactam diretamente o dia a dia do empreendedor mineiro e brasileiro, conectando liderança institucional, mercado e desenvolvimento econômico real.

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Leonardo Bortoletto é empresário e apresentador do Itatiaia Negócios Cast e comentarista do Conversa de Redação. Com olhar estratégico para gestão e mercado, entrevista líderes que impulsionam decisões e transformações reais.

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